Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Eletronuclear tenta adiar pagamento ao BNDES

Empresa, subsidiária da Eletrobrás, tem dívida de R$ 3,5 bi com o banco; próxima parcela vence no dia 15

Denise Luna, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2017 | 05h00

RIO - O presidente interino da Eletronuclear, Leonam Guimarães, esteve ontem pela manhã no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para pedir um waiver, uma espécie de renegociação que evita a declaração de inadimplência no mercado, para o empréstimo de R$ 3,5 bilhões que tem com o banco, relativo às obras da usina nuclear de Angra 3.

O executivo corre contra o tempo para tentar evitar pagar o empréstimo, no próximo dia 15 de dezembro, a terceira parcela mensal de R$ 30 milhões, que, segundo Guimarães, corresponde a 12% da receita bruta da Eletronuclear – uma empresa de economia mista, que é subsidiária da Eletrobrás. A usina Angra 3 continua com as obras paradas, interrompidas desde a descoberta de irregularidades durante as investigações da Operação Lava Jato, e portanto sem gerar receita.

O BNDES confirmou a reunião mas não deu detalhes. Além do banco, a Eletronuclear possui uma dívida de R$ 2,9 bilhões com a Caixa Econômica Federal e mais R$ 50 milhões com fornecedores. O objetivo da reunião com o BNDES é suspender o pagamento já em dezembro, informou a Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), que ajudou a marcar a reunião com o banco.

Guimarães havia informado no início do mês que buscava uma solução para a dívida, que seria o primeiro passo para o saneamento da empresa antes de ser incorporada pela nova holding que será criada com a privatização da Eletrobrás.

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Por questão de segurança nacional, a Eletronuclear não poderá ser privatizada, assim como a hidrelétrica de Itaipu e outros ativos binacionais da estatal do setor elétrico. Esses ativos serão reunidos em uma nova holding, ainda sem nome, enquanto a Eletrobrás terá seu capital pulverizado na Bolsa de Valores.

Na época, o executivo informou que a companhia está prestes a assinar acordo com um consórcio formado pela francesa EDF e a japonesa Mitsubishi, nos mesmos moldes que já foram assinados com a chinesa CNNC e a russa Rosatom. “Esses acordos são uma maneira de formalizar essas discussões preliminares para uma futura parceria”, disse.

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Ele afirmou ainda que a entrada de um sócio é fundamental para o término da usina nuclear Angra 3, que está 64% pronta mas ainda depende de R$ 13 bilhões para ser finalizada. Entretanto, alerta, que nenhum sócio vai entrar se a tarifa de Angra 3 não for elevada, o que seria o passo seguinte ao equacionamento da dívida. “Esse é o passo seguinte. Primeiro tem que equacionar a dívida e depois tem que estabelecer condições minimamente atrativas para um sócio.”

 

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