Eletropaulo corre risco de apagão, dizem eletricitários

O diretor-geral do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, Ricardo Sérgio Cavaquini, disse, na Comissão de Minas e Energia da Câmara, que a AES, controladora da Eletropaulo, além de não investitr na distribuidora de energia e de mandar dinheiro para fora do País, está "prestando um péssimo serviço ao consumidor". Cavaquini disse, ainda, que esta má qualidade do serviço poderá resultar, até, em apagões na área atendida pela distribuidora. Ele fez um resumo da privatização da empresa, comprada pela americana AES ao preço mínimo de US$ 2,026 bilhões. Segundo Cavaquini, a empresa está batendo recordes de acidentes, tanto envolvendo seu quadro de funcionários quanto a população. Ele chamou de "calote" a dívida de US$ 1,3 bilhão da AES com o BNDES e disse que a empresa remeteu para o exterior cerca de US$ 318 milhões, desde o ano 2000. Afirmou, também, que a AES está lesando a população, o governo brasileiro e os funcionários da Eletropaulo. E criticou a ausência do presidente do BNDES, Carlos Lessa, e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também convidados para participar da audiência pública de hoje, na comissão. Para Eletropaulo, há problemas em todo o setor de energiaJá o vice-presidente da Eletropaulo, José Meirelles, afirmou que problemas estão ocorrendo em todo o setor de energia, não só na Eletropaulo, e que o importante é mostrar que a empresa está numa nova fase de transparência. A audiência está sendo acompanhada por integrantes do Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, que mostram faixas e alguns dos quais estão usando máscaras de caveira e de porco. O ex-governador de São Paulo Antônio Fleury Filho (PTB), autor do requerimento de realização da audiência, fez uma série de perguntas ao representante da Eletropaulo. Acusou o governo de São Paulo de se "omitir criminosamente" no caso Eletropaulo, criticou a ausência do governador Geraldo Alckmin e questionou, ainda, qual é a relação do ex-presidente do BNDES, Pio Borges, com a Eletropaulo. Segundo Fleury, "é no mínimo aético" que o responsável pelo BNDES na época da privatização da distribuidora seja, hoje, o negociador da empresa junto ao banco.

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