Eletropaulo tem gestão temerária, diz BNDES

O presidente do BNDES, Carlos Lessa, admitiu hoje que está muito preocupado com a situação da distribuidora de energia paulista Eletropaulo, controlada pela norte-americana AES. Segundo ele, o problema da empresa está ligado à uma "administração temerária e extremamente inquietante". A Eletropaulo não pagou uma dívida de US$ 85 milhões com o banco que ocorreria em 31 de janeiro, adiando para 28 de fevereiro. De acordo com ele, a AES se comprometeu a resolver o impasse dentro deste prazo.O presidente do BNDES justificou o termo ?inquietante porque houve redução de hedge (proteção contra variações cambiais) na Eletropaulo?. Segundo Lessa, ?uma empresa que reduz seu hedge em tempos de turbulência cambial tem uma administração no mínimo curiosa?.Ele não quis dizer se o BNDES poderá tomar as garantias oferecidas pela AES por dívida contraída com o banco. Segundo ele, ?essa decisão vai muito além do banco? e envolve, por exemplo, o Ministério das Minas e Energia. Lessa informou que tem conversado ?toda hora no telefone? com a ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, e o presidente da Eletrobrás, Luiz Pinguelli Rosa.O presidente do BNDES disse que está preocupado com a AES em duas dimensões: como banco e como ?instituição do Estado Nacional?. ?O que nos preocupa como banco é cuidar do nosso ativo?, disse. A preocupação como ?instituição do Estado nacional é o estado da saúde da economia brasileira e paulista?. Lessa destacou que a Eletropaulo tem 14% do mercado de energia elétrica do País e ?está no coração estratégico da economia brasileira, que é São Paulo?.Carlos Lessa afirmou que mandou estudar a remessa de lucros realizada pela AES, mas antecipou que ?a AES remeteu antes da declaração de fragilidade?. Ele disse que empresas inadimplentes não podem distribuir dividendos, mas, na época, a AES ainda não era considerada inadimplente. ?Juridicamente não temos nada a fazer?, disse.Questionado sobre se já havia sinais de fragilidade da empresa quando a remessa de lucros foi feita, Lessa disse que isso tinha que ser perguntado para a gestão anterior no BNDES. ?Eu vou fiscalizar isso na minha gestão?, disse.

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