Eletros reage à criação de taxa para eletroeletrônicos

Os fabricantes de produtos eletroeletrônicos consideraram absurda e arbitrária a proposta anunciada ontem pelo comitê da sociedade civil do Conselho Nacional de Cinema, de aprovar a criação de uma taxa de 2% sobre a venda de equipamentos que veiculam obras audiovisuais, como televisores, vídeo, DVDs, monitores de computador e celulares que transmitem imagem, dentro do projeto de criação da Agência Nacional de Cinema e do Audiovisual (Ancinav). Segundo o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, a medida vai afetar tanto as vendas dos bens de consumo quanto prejudicar o projeto de inclusão digital do próprio governo federal."A taxa, se aprovada, vai penalizar o meio de lazer mais popular do Brasil, o televisor, em prol de uma medida que tenta garantir recursos para o cinema de forma totalmente arbitrária", adverte Paulo Saab, em comunicado divulgado à imprensa. "É uma decisão antidemocrática, que, em nome da defesa do cinema nacional, trata de buscar recursos através de criação de taxas que penalizam setores que sequer estão envolvidos na questão", observou, destacando que o segmento não teria sido consultado sobre a proposta.O presidente da Eletros disse que a indústria vem amargando queda de vendas há cinco anos consecutivos e que, apenas em 2004, iniciou um processo de recuperação, que poderia ser afetado agora por essa medida. No ano passado, as vendas de televisores situaram-se em 5,29 milhões de unidades, patamar ainda semelhante ao de 2000, sendo que em 2001 e 2002 foram registradas quedas de vendas.Quanto aos monitores de computador, Saab lembra que é um "contra-senso" encarecer o produto no momento em que o governo fala em criar instrumentos que permitam à população de baixa renda adquirir o micro popular. "Não se pode desenvolver um País ou setores específicos à custa da criação de mais impostos e taxas que penalizam toda a sociedade", finalizou.

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