Eletros teme volta de reserva de mercado para componentes

As empresas do setor de eletroeletrônicos alertaram hoje o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, do risco de voltar a haver reserva de mercado na área de componentes. O presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, e representantes de empresas como a Gradiente, Panasonic, Philips, Toshiba, Sony e CCE, entregaram ao ministro um documento no qual manifestam a preocupação com as regras de origem estabelecidas nos Processos Produtivos Básicos (PPB) publicados pelo Ministério."Somos a favor da instalação da indústria de componentes no Brasil, mas por meio de mudanças nas regras de origem, tirando toda a liberdade do mercado e engessando a indústria de eletroeletrônicos, que terá restrições para comprar de outras fontes", disse Saab ao deixar o Ministério. Segundo ele, como o Ministério não consegue o aval da Fazenda para aprovar medidas que possam atrair a indústria de componentes para o Brasil, tem-se aumentando o porcentual de componentes nacionais que a indústria de produtos acabados precisa utilizar."O governo não pode atrair estas empresas tirando a nossa competitividade", afirmou o presidente da Eletros, alertando que o setor corre o risco de não ter como negociar prazos, preço e qualidade se não puder importar. Segundo ele, os fabricantes de produtos acabados não podem ser os garantidores da indústria de componentes. Saab disse que o ministro determinou que um grupo de técnicos do ministério se reúna com o setor para analisar os PPBs.Saab também criticou a decisão do Ministério do Desenvolvimento de colocar em consulta pública o Processo Produtivo Básico da TV Digital. "É completamente extemporânea porque o padrão tecnológico só será definido no próximo governo", disse. Para Saab não faz sentido discutir mudanças no processo produtivo se o mercado está recessivo. Segundo ele, a venda de televisões analógicas caiu de 5,2 milhões de aparelhos em 2000, para 4,7 milhões em 2001 e deve chegar a 4,6 milhões de aparelhos este ano."Como falar de uma tecnologia que só entrará no mercado lá na frente se o mercado não está em expansão", afirmou. O PPB de TV Digital também impõe regras de origem na fabricação das televisões. "O problema não é só o PPB de TV Digital mas o conceito de linha de atuação do Ministério", disse. "Em três anos de Fórum de Competitividade, o máximo de criatividade que o governo conseguiu foi impor à indústria a compra de componentes nacionais", criticou.O governo tem tentando estimular a instalação de fábricas de componentes no Brasil para alterar o perfil da balança de eletroeletrônicos através da substituição de importação. "O governo não pode impor que o outro lado (indústria de produtos acabados) seja a contrapartida disso", disse. Segundo ele, a imposição pode tirar a competitividade do setor para exportar.

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