Elevação contínua do juro desacelera a atividade

Os juros mensais médios cobrados pelos bancos de pessoas físicas e jurídicas subiram ininterruptamente nos últimos 16 meses, constata a pesquisa mensal da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Essa é uma das causas da queda de ritmo da atividade econômica - e é provável que persista, nos próximos meses, ainda que a gastança comum às fases eleitorais possa irrigar a economia e contrabalançar a visível tendência de desaceleração.

O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2014 | 02h08

Em janeiro, os juros médios pagos pelas pessoas físicas foram de 5,65% ao mês, acima dos 5,60% ao mês de dezembro e dos 5,57% ao mês de novembro. Em relação a janeiro de 2013, quando o juro médio era de 5,43% ao mês, a taxa anual passou de 88,61% para 93,39%. Além de serem altíssimas as duas, a aceleração subsequente reduz o acesso da população ao crédito, pois as prestações apertam cada vez mais o orçamento familiar.

Os juros cobrados das pessoas jurídicas subiram mais lentamente, de 3,25% ao mês, em dezembro, para 3,29% ao mês, em janeiro. Entre janeiro de 2013 e de 2014, o juro anual passou de 43,74% para 47,47%.

Nos últimos 12 meses, o juro cobrado das empresas aumentou proporcionalmente mais do que o juro cobrado das famílias. Também no caso das pessoas jurídicas, o custo do crédito é muito elevado em especial quando se compara a taxa média vigente no crédito livre com a dos empréstimos direcionados em geral e a dos empréstimos subsidiados do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com base na TJLP, de 5% ao ano, inferior à metade da taxa básica de juros, de 10,5% ao ano.

A alta generalizada dos juros comprova o erro cometido em outro ano eleitoral (2012), quando a redução do juro básico foi exagerada, estimulando a aceleração inflacionária e a tentativa de reequilíbrio pela retomada da Selic, em 2013. Quem se lembrar da velha política de stop and go, de que era acusado o ex-ministro Simonsen, na era Geisel, não fará uma comparação disparatada.

Como a inflação continua alta (o 0,55% do IPCA, em janeiro, corresponde à taxa anualizada de 7%), a expectativa é de novas elevações da taxa básica, como alertou o economista da Anefac Miguel de Oliveira. Entre uma política fiscal austera para dar suporte ao combate da inflação e continuar elevando o juro, o governo prefere a segunda hipótese, deixando para o sucessor de Dilma Rousseff uma herança pesada.

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