Elevação do rating do Brasil não alivia e Bovespa cai 2,68%

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE , O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2011 | 03h05

A crise na Europa atingiu ontem um novo ponto crítico e o chão voltou a tremer sob os pés dos investidores. Houve queda disseminada dos ativos de risco, realimentando o pessimismo com o futuro da economia global. Espanha e França tiveram de pagar custo mais elevado para financiar as suas dívidas nos leilões de bônus realizados ontem, refletindo o temor de contágio e a desconfiança na capacidade de os governos com as finanças mais abaladas colocarem em prática as medidas de austeridade fiscal. No meio da tarde, as bolsas aprofundaram as perdas ante o receio de que o chamado "supercomitê" do Congresso americano não cumpra a missão de apresentar um plano de cortes nos gastos públicos até a próxima quarta-feira. Caso isso ocorra, vai resultar na adoção automática de um outro plano para reduzir o déficit orçamentário dos EUA. Basta lembrar que a negociação do governo com o Congresso para elevar o teto da dívida norte-americana, num passado recente, causou um grande estresse no mercado. Em Nova York, o S&P 500 e o Nasdaq caíram 1,68% e 1,96%, respectivamente, e o Dow Jones, - 1,13%.

Mergulhado no pessimismo, o mercado não encontrou espaço para comemorar a elevação pela Standard & Poor's do rating de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira de BBB- para BBB, com perspectiva estável. Por um breve instante, a Bovespa reduziu levemente a queda após a decisão da S&P. Após testar seguidas mínimas, a Bovespa tombou 2,68%, aos 56.988,90 pontos, após ter subido 2,16% nos três pregões imediatamente anteriores. O giro financeiro atingiu R$ 6,915 bilhões - maior volume deste mês. Os bancos estiveram entre os piores desempenhos, com o Santander puxando a fila, em queda de 4,56%. Os investidores reagiram mal ao anúncio de que o banco espanhol entrou com pedido na SEC (a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) na última segunda-feira para que empresas do próprio grupo possam vender papéis do Santander Brasil.

Contaminado pelo exterior e pela queda do Ibovespa, o dólar galgou R$ 1,78, alta de 0,45% no balcão, estendendo a valorização em três dias para 2,06%. Com as apostas convergindo para um corte da taxa básica de juros, a Selic, de 0,50 ponto porcentual, na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom), o movimento nos juros se concentrou nos vértices mais longos, que caíram influenciados pela crise externa e pela retração de 0,32% do ndice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) no terceiro trimestre.

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