Elevar juros para conter inflação 'é normal', diz economista da campanha de Aécio

Para combater a inflação "é normal" ter de elevar os juros básicos, para depois reduzi-los, disse nesta segunda-feira o economista Mansueto Almeida, um dos coordenadores do programa econômico do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

EDUARDO SIMÕES, REUTERS

18 de agosto de 2014 | 09h55

Mansueto voltou a afirmar que, caso eleito, o governo tucano vai fazer com que o câmbio seja flutuante, mas observou que, caso seja necessário, o Banco Central fará intervenções para evitar excesso de volatilidade.

"O juro já está alto. Se tiver que aumentar um pouquinho, para depois reduzir, isso é normal", afirmou à Reuters Mansueto, que integra a equipe de coordenação do programa econômico do senador mineiro ao lado do ex-presidente do BC Armínio Fraga e dos economistas Luiz Mendonça de Barros e Samuel Pessôa.

"Não se pode reduzir juro por boa vontade, reduz-se juro com fundamento", acrescentou o economista, pouco antes de participar de evento em São Paulo.

Atualmente, a Selic está em 11 por cento ao ano, após um ciclo de aperto monetário que durou um ano para combater a inflação, que ainda continua elevada e perto do teto da meta oficial --de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais.

E, mesmo diante da economia ainda fraca, o BC já deixou claro que não pretende reduzir a taxa básica de juros tão cedo. Para especialistas consultados pelo BC em pesquisa Focus, a Selic fecha este ano a 11 por cento e, em 2015, sobe a 11,75 por cento.

"O arrocho já está acontecendo. Não é normal um país que está crescendo menos de 5 por cento ao ano ter uma inflação tão alta", afirmou Mansueto.

O economista também afirmou que, em regime de câmbio flutuante, o BC "intervém para evitar excesso de volatilidade". Em recente entrevista à Reuters, ele disse que um governo do PSDB retomaria a livre flutuação da taxa de câmbio.

Desde agosto do ano passado, o Banco Central sob o governo da presidente Dilma Rousseff mantém um programa de intervenção no câmbio com o objetivo de diminuir a volatilidade do mercado. Isso começou quando a moeda norte-americana se aproximou de 2,45 reais, diante de incertezas sobre o rumo da política monetária ultraexpansionista do banco central norte-americano.

No fim de junho, o BC anunciou a extensão do programa de intervenção pelo menos até o fim do ano sem alterações, apesar de expectativas de que pudesse reduzir a oferta de hedge cambial. Além da oferta diária de swap cambial, equivalente a venda futura de dólares, o BC disse que poderá fazer operações adicionais se julgar necessário.

(Texto de Patrícia Duarte; Edição de Pedro Fonseca)

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