Elie Horn deixa o comando da Cyrela

Filhos do empresário assumirão a presidência

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2014 | 02h06

Com seu característico sotaque sírio, o presidente da Cyrela, Elie Horn, começou ontem a se despedir do comando da empresa que fundou e presidiu por cinco décadas. Na manhã de ontem, ele falou em sua última teleconferência com analistas para apresentar os resultados da companhia. Desde a abertura de capital da incorporadora, que é a maior do País, Horn lê um breve texto sobre o desempenho da Cyrela e do mercado - essa se tornou uma das raras ocasiões em que é possível ouvir o empresário, já que ele não gosta de dar entrevistas, não tira fotos e evita participar de eventos públicos. "É difícil a hora do adeus, mas faz parte da vida. Obrigado a todos", disse ao se despedir.

Horn passará a presidência para os filhos Efraim e Raphael, que exercerão o cargo em conjunto a partir de maio, sob a supervisão do pai, que continuará na presidência do conselho de administração.

A sucessão na Cyrela vem sendo planejada desde 2009. O empresário contratou o consultor em gestão Sérgio Foguel, ex-Odebrecht, para orientá-lo nesse processo. Naquele mesmo ano, sob a coordenação de Foguel, 15 pessoas se reuniram num domingo na casa de Elie Horn para firmar o que ficou conhecido internamente como "pacto de perenização" da Cyrela: uma série de diretrizes que iriam ajudar o empresário a definir seu sucessor. O plano inicial, segundo apurou o Estado, era que ele deixasse o comando em 2015, mas as novas regras da BM&FBovespa acabaram acelerando os acontecimentos.

Em 2011, foi estabelecido que as empresas que integram o Novo Mercado, nível máximo de governança corporativa, não poderiam mais ter a mesma pessoa nos cargos de presidente do conselho de administração e presidente executivo. A BM&FBovespa deu três anos para que as companhias se adequassem. O prazo termina em maio.

Agora, a proposta de sucessão na Cyrela será submetida à assembleia geral. Se aprovada, será convocada uma nova reunião do conselho de administração para eleição de Efraim e Raphael. "Optamos pelo modelo da copresidência pois acreditamos no modelo da complementaridade", afirmou Horn. "Essa decisão foi pensada e amadurecida ao longo dos últimos anos."

Período, aliás, que não foi fácil para a Cyrela. Em 2010, a empresa perdeu o posto de maior incorporadora do País para a PDG, que multiplicou de tamanho ao comprar a Agre, num momento em que o mercado imobiliário brasileiro vivia um boom. No ano seguinte, o crescimento acelerado entregou a conta e a Cyrela foi a primeira a divulgar perdas, com obras atrasadas e orçamentos acima do previsto.

A empresa foi também a primeira a se recuperar. Ela voltou ao topo e, no ano passado, lucrou R$ 719 milhões. Apesar do resultado positivo, Elie disse, ontem, que o foco continuará no controle de custo e na melhora da rentabilidade. Dado o recado, Raphael e Efraim já sabem o que fazer para atender as expectativas do pai. / NAIANA OSCAR E CIRCE BONATELLI

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