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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Elite republicana já fala em default brasileiro

O Brasil deve entrar em default. Esta é a impressão que os participantes do seleto World Forum têm hoje do País e que se reflete, de maneira galopante, no índice de risco Brasil. Presidido pelo ex-presidente americano Gerald Ford, o World Forum está sendo realizado nesta localidade do Colorado, estado do Centro-Oeste americano. Fechado à imprensa, o encontro reúne personalidades do mundo inteiro, incluindo membros do governo americano, presidentes de empresas internacionais e até integrantes do governo chinês. O Forum existe há 21 anos e se dedica ao debate de temas amplos. Neste ano, o tema central é o conflito entre Israel e palestinos. Foi em uma mesa-redonda para discutir o destino do dólar que o tema Brasil surgiu. Ao responder sobre o futuro do País, um alto integrante do governo americano disse que a sensação geral é de que o Brasil vai entrar em default como resultado do discurso do candidato do PT, Lula, líder das pesquisas eleitorais, que estaria dizendo que não vai pagar a divida brasileira. Ao ser colocado diante de uma informação diferente, a de que os assessores de Lula e o próprio estão repetindo que vão honrar contratos sim, a mesma autoridade americana contestou: "Então, ele não está sendo claro, terá de ser muito mais enfático para apagar o que andou falando durante anos de vida", retrucou. Ele frisou não querer que seu nome fosse citado. Mas disse: "A continuidade de Armínio Fraga no Banco Central contribuiria para afastar a rota do default." Concordaram com ele o renomado economista e professor Allan Meltzer, John Castle, presidente do banco Castle Harlan, Bruce Bover, administrador de um dos grandes fundos de investimento americano, e outros como Hinori Aihara, dirigente para as Américas da Mitsubishi International Corporation. Vale registar que o Brasil foi lembrado pelo mediador, mesmo tendo como único representante no Forum o empresário Mario Garnero. E o foi de maneira nada elogiosa. Salvo pela interferência de Meltzer deixando claro o fato de que, há três meses, a trajetória da economia brasileira era outra, com juros e risco em queda e sinais de crescimento, os presentes fizeram questão de associar o Brasil à Argentina, não exatamente por causa da economia em si, que desconhecem. Alinharam o fato à atual aversão ao risco captada entre os investidores americanos. "Não temos mais interesse na América Latina", repetiam alguns dos participantes do encontro. DólarA aversão ao risco foi citada por Larry Lindsay - assistente direto para assuntos econômicos do presidente George Bush e apontado como possível sucessor de Alan Greenspan no Federal Reserve - como uma das razões para a fraqueza do dólar. Lindsay disse, porém, não acreditar que essa fraqueza continue. Ressaltou que as políticas do governo Bush para fortalecer o dólar vão surtir efeito. "Os EUA são o melhor lugar do mundo para se investir", propagandeou. Na visão de Lindsay, os investidores estavam superexpostos em papéis americanos, antes dos atentados de 11 de setembro. Esta superexposição, agora, está sendo reequilibrada e é isso, disse, o que enfraquece o dólar no curto prazo. Afinal, se no Brasil diz-se haver grande dependência do capital externo, nos EUA, 40% da dívida interna são financiados por recursos externos.

Agencia Estado,

23 de junho de 2002 | 09h52

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