Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em 10 anos, Previdência e outros benefícios vão somar 80% do Orçamento, diz Meirelles

Ministro da Fazenda comparou o sistema previdenciário do Brasil com o de outros países e mostrou que a aposentadoria chega, na média, a 76% do salário médio que receberam enquanto estavam no mercado de trabalho

André Ítalo Rocha, enviado especial, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2017 | 15h41

FLORIANÓPOLIS - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira, 24, que, se a reforma da Previdência não for aprovada, os gastos do governo com aposentadoria e outros benefícios sociais vão chegar a cerca de 80% do Orçamento da União daqui a 10 anos. O nível atual é de 50%. "É isso que eu tenho dito aos parlamentares", disse. "E se colocar mais 10 anos, não haverá dinheiro para educação, saúde ou infraestrutura, todos os recursos serão para pagar aposentadoria", declarou.

As declarações foram dadas em palestra na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis, sobre o atual panorama da economia brasileira.

Meirelles comparou o sistema previdenciário do Brasil com o de outros países e mostrou que, na média, a aposentadoria dos brasileiros chega, na média, a 76% do salário médio que receberam enquanto estavam no mercado de trabalho. Para os países europeus, a taxa é de 56%. Ele também disse que a idade média de aposentadoria no Brasil é baixa, de 59 anos. Na comparação com os países que formam a OCDE, só Luxemburgo tem idade média menor, de 58 anos. "O México, que tem perfil econômico semelhante ao nosso, tem média de 72 anos".

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O ministro comentou que chegou a ouvir uma vez que a Previdência no Brasil é uma das melhores do mundo e disse que, de fato, o sistema brasileiro é muito generoso, mas que tem um problema: "quem paga?". "O Brasil tem de gerar riqueza para que a população ganhe cada vez mais, mas para isso tem de equilibrar as contas públicas, porque se não fizer isso a taxa de juros volta a ser alta e a inflação volta a ser alta".

Antes da palestra, Meirelles almoçou com o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, na sede do governo do Estado. A reunião ocorreu em um momento em que o governo federal busca o apoio dos governadores para que estes convençam os parlamentares de seus Estados a votar a favor da reforma da Previdência. Também participaram do encontro os deputados federais catarinenses João Paulo Kleinübing e João Rodrigues, ambos do PSD, o mesmo partido de Colombo e Meirelles. 

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