Jenne Roriz|Estadão
Jenne Roriz|Estadão

Em 11 anos, agropecuária avança em área equivalente a Portugal, Bélgica e Dinamarca

Fronteira agropecuária avançou em 16.573.292 hectares no Brasil entre 2006 e 2017, mas houve recuo no Nordeste; cresceu uso de terras não legalizadas

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 10h00

A fronteira agropecuária avançou em 16.573.292 hectares do território nacional entre 2006 e 2017. O resultado equivale a dizer que a agropecuária nacional somou aos seus domínios uma área equivalente aos territórios inteiros de Portugal, Bélgica e Dinamarca juntos. Os dados, do Censo Agropecuário 2017, foram divulgados nesta quinta-feira, 26, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Brasil tem atualmente 350.253.329 hectares pertencentes a 5.072.152 estabelecimentos agropecuários. A área ocupada por estabelecimentos agropecuários em 2017 foi 5% maior que no censo anterior, realizado em 2006.

“Atualmente, 41% do território brasileiro está ocupado com estabelecimentos agropecuários”, disse Antonio Carlos Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário.

A expansão dos últimos 11 anos foi concentrada nos grandes estabelecimentos, já que a área ocupada pelos pequenos produtores ficou praticamente estagnada. São 16,3 milhões de hectares a mais e 3.287 mais estabelecimentos entre as propriedades com mil hectares ou mais, maior faixa por extensão na classificação do IBGE. Os grandes produtores, que detinham 45% das terras de estabelecimentos agropecuários em 2006, elevaram sua fatia para 47,5%.

O Censo de 2017 deixou de contar como estabelecimentos os trabalhadores que fazem algum tipo de pequeno cultivo nas propriedades onde trabalham. Essa mudança metodológica explica o recuo de 2% no total de estabelecimentos agropecuários no País nos últimos 11 anos, 103.484 unidades a menos. 

 

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Agropecuária avança no PA e MT, mas recua na região Nordeste

No Nordeste, a área agrícola ficou 9.901.808 hectares menor, o que equivale a aproximadamente o Estado inteiro de Pernambuco a menos na agropecuária local

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 10h00

RIO - Os Estados do Pará e Mato Grosso tiveram os maiores aumentos de áreas agrícolas nos últimos 11 anos. No Nordeste, porém, houve uma perda de 9,9 milhões de hectares. Os dados fazem parte dos resultados preliminares do Censo Agropecuário 2017, divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No Nordeste, a área agrícola ficou 9.901.808 hectares menor, o que equivale a aproximadamente o Estado inteiro de Pernambuco a menos na agropecuária local. Segundo Antonio Carlos Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário, o fenômeno pode ter relação com a seca prolongada.

“Foram cinco anos direto de seca no Nordeste, então você chega lá e não tem mais nada. Tem uma área enorme entre a Bahia e o Rio Grande do Norte que já tem um processo avançado de desertificação. Não dá mais nada na terra, então tem gente que estava produzindo e saiu dali”, afirmou Florido.

Em 2017, a área total ocupada por estabelecimentos agropecuários em todo o País cresceu 5,0% em relação ao censo de 2006, com 16.573.292 hectares a mais, o equivalente a aproximadamente a área do Acre.

No Pará, a área agrícola cresceu de 22,926 milhões de hectares em 2006 para 29,678 milhões de hectares em 2017. Em Mato grosso, houve avanço de 48,689 milhões para 54,831 milhões no mesmo período.

No total do País, parte das lavouras permanentes cedeu espaço às temporárias. Quase 10 milhões de pastagens naturais foram substituídas por pastagens plantadas. Em 11 anos, cresceu o total de terras com matas naturais e matas plantadas. A silvicultura teve um salto de 79,2% em 2017 ante 2006.

A área produtiva, ocupada por lavouras permanentes, lavouras temporárias, pastagens naturais, pastagens plantadas e matas plantadas aumentou 5.105.408 hectares, passando de 225.368.857 em 2006 para 230.474.265 em 2017. 

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Brasil tem 588 mil crianças trabalhando na agropecuária

329.096 meninos e 258.709 meninas de até 13 anos de idade atuam em estabelecimentos agropecuários no País

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 10h00

O Brasil tem mais de meio milhão de crianças trabalhando no campo. Ao todo, são 587.805 trabalhadores com até 13 anos de idade, atuando em estabelecimentos agropecuários: 329.096 meninos e 258.709 meninas. Os dados, divulgados nesta quinta-feira, fazem parte dos resultados preliminares do Censo Agropecuário 2017, apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Existe uma questão, muitas vezes cultural, em que todos da família ajudam na atividade, inclusive os menores”, opinou Antonio Carlos Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário.

De acordo com a legislação brasileira, o trabalho infantil se refere às atividades econômicas ou de sobrevivência, com ou sem finalidade de lucro, remuneradas ou não, realizadas por crianças ou adolescentes em idade inferior a 16 anos, independentemente da sua condição ocupacional. A única exceção são os pequenos trabalhadores que estão na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos.

A maior parte das crianças que trabalhavam no período de referência do levantamento censitário (507.132) estava ocupada em estabelecimentos que pertenciam a alguém da família. Os demais atuavam em estabelecimentos de terceiros: 48.054 trabalhavam de forma permanente, 25.577 tinham vínculo temporário e outras 7.042 crianças estavam em regime de parceria.

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Para cada trator adquirido nos últimos 11 anos, 4 trabalhadores foram dispensados no campo

Número de tratores no campo aumentou 49,7% em 11 anos, para um total de 1.228.634 unidades

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 10h04

RIO – A mecanização da agropecuária vem reduzindo o total de pessoas trabalhando no campo. Entre 2006 e 2017, para cada trator adquirido, quase quatro empregos no campo foram eliminados. Os dados, do Censo Agropecuário 2017, foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2017, 15.036.978 pessoas trabalhavam em estabelecimentos agropecuários, 1.530.566 a menos do que o registrado pelo censo realizado em 2006 – em 1985, eram 23,4 milhões. O porcentual de produtores e trabalhadores com laços de parentesco diminuiu de 77% em 2006 (12.801.179 pessoas) para 73% em 2017 (10.958.787).

“Isso é tendência em todo lugar, o número de pessoas ocupadas vem caindo e o número de tratores vem subindo. É a industrialização, a mecanização do campo”, confirmou Antonio Carlos Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário.

O número de tratores no campo aumentou 49,7% em 11 anos, para um total de 1.228.634 unidades, o equivalente a 407.916 novas máquinas. Mais de 200 mil estabelecimentos passaram a usar tratores no período, alcançando um total de 733.997 produtores em 2017. O número de 2017 é quatro vezes maior do que o registrado no Censo Agropecuário de 1975, quando havia 323 mil tratores em uso no campo.

O Censo Agropecuário de 2017 mostrou ainda que 1,681 milhão de produtores usaram agrotóxicos no período de referência da pesquisa, um avanço de 21,2% em relação ao censo de 2006. Outros 134.360 produtores responderam que fazem uso de agrotóxico, mas que não houve necessidade de aplicação no período de referência do levantamento censitário. Ou seja, 36% dos produtores usavam agrotóxicos.

Além disso, em 2017, 502.425 estabelecimentos agropecuários disseram usar algum método de irrigação. A área irrigada total no País foi de 6.903.048 hectares. Em relação ao censo de 2006, houve crescimento de 52% no número de propriedades com irrigação em suas terras e avanço de 52% na área total irrigada.

A conectividade via internet também chegou ao campo brasileiro. No ano passado, 1.425.323 produtores declararam ter acesso à internet, um salto de 1.790,1% ante 2006. O acesso à rede era feito por banda larga por 659 mil (46,2%), e outros 909 mil estavam conectados via internet móvel (63,77%). Em 2006, apenas 75 mil estabelecimentos tinham acesso à internet.

O acesso ao telefone também cresceu, passando de 1,2 milhão de propriedades em 2006 para 3,1 milhões de estabelecimento em 2017, 1,9 milhão a mais, um avanço de 158% em 11 anos.

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A cada 10 dirigentes do agronegócio, 2 são mulheres

Porcentual de entrevistas autodeclaradas como responsáveis pelo agronegócio aumentou de 12,68% em 2006 para 18,64% em 2017

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 10h00

As mulheres estão mais presentes na agropecuária brasileira: a cada dez chefes de fazenda, dois são do sexo feminino. Os dados fazem parte dos resultados preliminares do Censo Agropecuário 2017, divulgados nesta quinta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 11 anos, aumentou a proporção de dirigentes de estabelecimentos agropecuários no País do sexo feminino. O porcentual de entrevistas autodeclaradas como responsáveis pelo agronegócio aumentou de 12,68% em 2006 para 18,64% em 2017.

Nessa edição do Censo Agropecuário, o IBGE coletou também informações sobre cogestão de estabelecimentos agropecuários por casais. Se somadas as mulheres que também administravam os estabelecimentos junto com os maridos, o porcentual de dirigentes do sexo feminino no agronegócio era de 34,75% em 2017: 945.490 responsáveis autodeclaradas e 816.926 em direção conjunta com companheiros, totalizando 1.762.416 de mulheres chefiando a produção agropecuária no País.

“Tem mais mulheres como produtoras, como gerentes e responsáveis pelas atividades dos estabelecimentos agropecuários”, disse Antonio Carlos Florido, coordenador técnico do Censo Agropecuário.

Quanto à idade, houve redução na participação dos mais jovens entre os produtores: a proporção de menores de 25 anos passou de 3,30% em 2006 para 2,03% em 2017; a faixa de 25 a menos de 35 anos saiu de 13,56% para 9,49%; e os de 35 anos a menos de 45 anos diminuíram de 21,93% para 18,29%. Ao mesmo tempo aumentou a proporção de produtores mais velhos: de 45 anos a menos de 55 anos (de 23,34% para 24,77%); de 55 anos a menos de 65 anos (de 20,35% para 24,01%); e de 65 anos ou mais (de 17,52% para 21,41%).

Segundo Florido, o fenômeno é explicado pelo envelhecimento da população e pela falta de sucessão no comando das propriedades, com os jovens migrando para outras atividades.

Do total de produtores, 15,5% declararam que nunca frequentaram escola; 29,7% não passaram do nível de alfabetização, e 79,1% não foram além do nível fundamental. Além disso, 1.163.354 produtores (23,05%) declararam não saber ler e escrever. Apenas 0,29% dos produtores (14.449) frequentaram mestrado ou doutorado, e 5,58% (281.606) cursaram ensino superior.

A maioria dos produtores se autodeclara de pele preta (422.595 pessoas ou 8% do total) ou parda (2.242.993 ou 44% do total); Os produtores que se autodeclaram de pele branca são 2.291.153 pessoas ou 45% do total. Os indígenas são apenas 1% dos produtores, 56.183 pessoas, enquanto os de pele amarela totalizam 0,6%, 33.463.

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Em 11 anos, cresceu uso de terras não legalizadas na agropecuária

Área ocupada por produtores que não pagavam aos donos pelo uso da terra cresceu de 7.216.236 hectares em 2006 para os atuais 9.766.712 hectares

Daniela Amorim e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

26 Julho 2018 | 10h00

RIO – Nos últimos 11 anos, aumentou o uso de terras não legalizadas para a agropecuária no País, enquanto a regularização de áreas já cedidas por órgãos fundiários não evoluiu. A área ocupada por produtores que não pagavam aos donos pelo uso da terra, consideradas como ocupação ou posse, cresceu de 7.216.236 hectares em 2006 para os atuais 9.766.712 hectares. Os dados, do Censo Agropecuário 2017, foram divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O total de terras concedidas por órgão fundiário, mas ainda pendente de titulação definitiva de propriedade, que inclui os assentamentos, se manteve praticamente no mesmo patamar de 11 anos atrás: esse tipo de área totalizava 5.957.124 hectares em 2006, passando a 6.063.858 hectares.

A maior expansão ocorreu no total de áreas arrendadas, que passou de 15.127.498 hectares em 2006 para 30.044.996 hectares em 2017. As terras cultivadas em parceria aumentaram de 3.240.841 hectares para 7.818.418 hectares no período. A área total de terras próprias encolheu de 302.138.391 para 299.240.394 hectares em 11 anos, embora ainda seja a modalidade mais presente na agropecuária.

Quanto à condição legal da terra, a proporção de estabelecimentos em terras próprias cresceu de 76,2% para 82%, mas a participação deles na área total diminuiu de 90,5% para 85,4%. Já a proporção de estabelecimentos com terras arrendadas caiu de 6,5%, em 2006, para 6,3%, em 2017, embora a participação da modalidade na área total tenha crescido de 4,5% para 8,6%.

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