Em 15ª revisão para baixo, mercado diminui projeção de crescimento em 2014 para 0,48%

Há um mês a estimativa era de crescimento de 0,81%; expectativa para a inflação subiu para 6,29% no relatório Focus

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2014 | 08h44

BRASÍLIA - Pela 15ª semana consecutiva, o mercado revisou para baixo a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014, conforme revelou o relatório de mercado Focus. O ponto central do levantamento (mediana) mostra que a taxa esperada atualmente está em 0,48%.
Logo depois da divulgação pelo IBGE há cerca de 15 dias de que o PIB recuou 0,60% no segundo trimestre do ano e da revisão para pior do número dos primeiros três meses do ano, analistas que participam do levantamento diminuíram de forma robusta suas estimativas, passando de 0,70% para 0,52%. Agora, mais uma baixa foi vista. Há quatro semanas, a expectativa para 2014 era de crescimento de 0,81%. Para 2015, a estimativa de expansão de 1,10% foi mantida esta semana. Um mês atrás, a mediana estava em 1,20%.
A expectativa para o fraco crescimento costuma ser explicada em grande parte pelas previsões negativas do mercado para o setor industrial. No boletim Focus de hoje, os analistas previram que o setor fabril vai fechar 2014 negativo em -1,98%, e não mais em -1,70%, como era esperado na semana anterior. Há um mês, a estimativa era de queda de 1,53%. Para 2015, a previsão ainda segue em alta, mas diminuiu de 1,70% para 1,50%, após seis semanas sem alterações.
Inflação.O Relatório Focus revelou que a projeção para o IPCA de 2014 subiu de 6,27% para 6,29%, conforme divulgação feita há pouco pelo Banco Central. Há quatro semanas, a estimativa era de 6,26%. A mudança ocorreu depois que o IBGE divulgou, na última sexta-feira, que o índice oficial do País ficou em 0,25% em agosto ante 0,01% em julho. Já para 2015, a mediana das estimativas ficou congelada em 6,29% de uma semana para outra. Um mês antes, a expectativa mediana estava em 6,25%. 
A previsão suavizada para o IPCA para os 12 meses à frente também ficou estacionada em 6,24%. Há quatro semanas estava em 6,19%. Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2014 no cenário de médio prazo teve uma mudança para baixo, passando de 6,34% para 6,28%. 
Para 2015, a previsão mediana dos cinco analistas baixou de 6,48% para 6,40. Quatro semanas atrás, o grupo previa taxa de 6,33% para 2014 e de 6,48% para o de 2015. Para o curto prazo, a mediana das estimativas para o IPCA de setembro subiu de 0,39% para 0,40%; Já para outubro, o ponto central da pesquisa ficou parado em 0,49%. 
Juro. Logo depois que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central definiu que o rumo da taxa Selic permaneceria em 11,00% ao ano, na quarta-feira passada, e sinalizou que o juro básico ficará neste patamar por mais alguns meses, economistas consultados pela autoridade monetária na pesquisa Focus mantiveram a projeção de que a taxa básica encerrará 2014 em 11,00% ao ano pela 14ª semana seguida. Porém, houve mudanças nas estimativas para 2015.
O boletim Focus revelou que, ao final do ano que vem, a taxa básica de juros ficará em 11,63% ao ano, e não mais em 11,75%, como apontado na semana anterior. Como a taxa de 11,63% não é viável para o Copom, que faz movimentos apenas de 0,25 ponto porcentual (e seus múltiplos) para cima e para baixo, a pesquisa demonstra que os analistas estão claramente divididos em relação ao patamar do juro no encerramento de 2015. Para metade dos participantes da Focus, a taxa encerrará o ano em 11,75%. Já para a outra metade, ficará em 11,50% ao ano.
Dólar.  Parada há seis semanas em R$ 2,35, a cotação para o câmbio de 2014 recuou para R$ 2,33 no relatório de mercado Focus. Com essa alteração, a projeção mediana para o câmbio médio deste ano foi reduzida de R$ 2,29 para R$ 2,28. 
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