Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em 17 anos, inflação jamais saiu do controle, diz Tombini

Presidente do BC, que deve ser substituído por Ilan Goldfajn, defende o regime de metas e minimiza os estouros da banda, que já ocorreram em quatro anos

Daniela Amorim, Idiana Tomazelli, Fabrício de Castro e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2016 | 10h45

RIO - Embora a inflação tenha superado o teto da meta de tolerância do governo em alguns anos recentes, ela jamais saiu do controle desde que foi implantado o regime de metas de inflação, defendeu nesta sexta-feira Alexandre Tombini, presidente do Banco Central (BC).

Segundo Tombini, essas situações de estouro da meta estão previstas e são administráveis dentro do próprio regime. "Mas, em nenhuma circunstância, a inflação saiu do controle nesses 17 anos do regime de metas de inflação", declarou Tombini, que participa da abertura do XVIII Seminário Anual de Metas para a Inflação, no Rio.

Desde 1999, quando o governo adotou o atual sistema, a meta foi descumprida em quatro anos: 2001, 2002, 2003 e 2015. 

O presidente do BC, que deverá ser substituído por Ilan Goldfajn na equipe do governo de Michel Temer, defendeu que o regime de metas tem simplicidade, transparência, é flexível e de fácil aferição pela sociedade. "A sociedade sabe quando os resultados são aderentes aos objetivos estabelecidos", discursou.

No cenário internacional, o sistema encontra amplo apoio, enquanto que, no Brasil, superou críticas. O sistema foi testado em diversas ocasiões, inclusive em momentos de inflação severa, e foi a manutenção dos princípios do regime que permitiu que a inflação fosse mantida sob controle, avaliou. "É uma boa conquista, um verdadeiro bem público para a sociedade", declarou.

Segundo ele, a transparência é crucial para o regime de metas de inflação, um dos pilares do tripé macroeconômico em curso no Brasil.

O presidente do BC disse que a autoridade monetária procura adotar o princípio de separação entre a política monetária e a política macroprudencial. A primeira cuida da estabilidade de preços e a segunda, da estabilidade financeira. O objetivo central do BC é assegurar a segurança macroeconômica. 

 

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