Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em 2 anos, só metade dos empregos formais perdidos na crise foi recuperada

Apesar dos números positivos de criação de vagas com carteira nos últimos meses, avaliação é que ainda deve demorar para que sejam retomados os 2,8 milhões de empregos que deixaram de existir entre 2015 e 2017, como reflexo da crise

Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2019 | 21h12

BRASÍLIA - Apesar dos números positivos do emprego registrados neste final de ano, o mercado de trabalho ainda está longe de recuperar as vagas com carteira perdidas durante a crise econômica. E mesmo um crescimento mais forte da economia em 2020 pode ser insuficiente para a recriação de todos esses empregos, segundo especialistas.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, um total de 2,873 milhões de vagas foram perdidas entre 2015 e 2017. Com a lenta retomada da atividade nos últimos anos, foram reabertos 1,494 milhão de postos de trabalho em 2018 e 2019 (até novembro). Ou seja, ainda faltaria 1,379 milhão de novos empregos apenas para retomar o saldo de vagas que foram pulverizadas na crise.

Embora o Caged tenha registrado um saldo positivo em 2014, para muitos setores a crise já fechou vagas a partir daquele ano. A indústria foi de longe o segmento mais atingido, com a destruição de 1,120 milhão de vagas formais entre 2014 e 2017. Nos últimos dois anos, 126,7 mil vagas foram recuperadas nas fábricas, ou apenas 11,3% do total perdido na crise.

Na construção civil, a recessão atingiu 991,6 mil postos com carteira assinada entre 2014 e 2017, para apenas 134,4 mil vagas reabertas no ano passado e neste ano. Um índice de recuperação de apenas 13,5%.

A situação é diferente no comércio e nos serviços, que tiveram retração no saldo de trabalhadores apenas em 2015 e 2016, iniciando a recuperação mais cedo, já a partir de 2017. No caso do comércio, das 410,2 mil vagas fechadas na crise, 227,8 mil já foram reabertas, ou 67,7% do total. E em serviços, as 946,7 mil vagas abertas nos últimos três anos foram mais do que suficientes para compensar os 660,5 mil empregos perdidos nos dois piores anos de crise.

Para José Pastore, economista e professor da USP, os últimos resultados da geração de vagas formais foram animadores. Ele avalia, porém, que a recomposição do estoque total de trabalho que havia antes da crise ainda será lenta, mesmo que Brasil volte a crescer a uma taxa anual de 2,5% a partir de 2020.

“A criação de quase 100 mil empregos em novembro animou o mercado porque foi quase o dobro das expectativas, mas em dezembro normalmente há um fechamento grande de vagas. Então, devemos encerrar 2018 e 2019 com uma taxa de recuperação inferior à metade dos postos de trabalho perdidos na crise”, considera.

O economista acredita que ainda vai demorar cerca de três anos para que o País recupere o estoque de empregos de 2014. Além disso, ele aponta uma mudança na relação entre o crescimento do PIB e o mercado de trabalho. “Há uma transformação estrutural na geração de empregos, com o incremento da informatização, da robotização e, principalmente, do trabalho por aplicativos. Parte da atual ociosidade nos meios de produção não será reocupada por trabalhadores formais”, conclui.

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