Em 2ª aquisição em 1 semana, Kraft Heinz compra BR Spices e põe tempero no portfólio

Em 2ª aquisição em 1 semana, Kraft Heinz compra BR Spices e põe tempero no portfólio

Empresa controlada pelo 3G Capital, de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, amplia atuação e adiciona novas marcas ao seu portfólio

Ana Paula Grabois e André Jankavski, especial para o Estadão, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2021 | 10h03

Uma semana depois de comprar a fabricante de condimentos catarinense Hemmer, a gigante americana Kraft Heinz, controlada pelo 3G Capital, do trio Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, além do megainvestidor Warren Buffett, comprou a BR Spices, empresa de especiarias e temperos.

A negociação deve ser concluída até o fim deste ano e o fundador da empresa, Gabriel Daniel, permanecerá no comando. O valor do negócio, que deu à Kraft Heinz o controle, não foi divulgado.

A BR Spices foi fundada em 2015 e tem fábrica em Jandira, no interior de São Paulo. Produz cerca de 70 itens, 100% naturais. De acordo com Gabriel Daniel, a aquisição "pode elevar a BR Spices a outro patamar" e deve aumentar o portfólio da marca com a possibilidade de explorar novos segmentos.

Para a Kraft Heinz, a transação se alinha com a estratégia de "elevação de sabor" do portfólio.

"A BR Spices e seu fundador têm uma história inspiradora de empreendedorismo. O negócio tem como principal objetivo a aceleração da estratégia de inovação da companhia, prioridade da Kraft Heinz nos últimos anos. O investimento em novos negócios é parte da agenda de crescimento do Brasil, buscando mais agilidade, expertise e autenticidade de novas marcas em desenvolvimento”, disse o presidente da Kraft Heinz Brasil, Fernando Rosa, em comunicado à imprensa.

Para o professor de marketing e administração da ESPM, Alan Kuhar, a compra da BR Spices vai ajudar a Kraft Heinz vai complementar o seu portfólio de alimentos, que conta com marcas como a própria Heinz e a Quero. "Faz todo o sentido vender produtos como molhos, picles em conserva da Hemmer e temperos. Eles se complementam", afirma Kuhar.

No entanto, ainda paira a dúvida a respeito de como a empresa vai operar as duas marcas compradas. O 3G Capital sempre foi reconhecido como um grupo que busca a maior eficiência financeira possível, mas algumas de suas marcas controladas também receberam várias críticas por perderem a qualidade com o passar do tempo. A Ambev, por exemplo, passou a ser acusada por consumidores a produzir "cervejas de milho", por causa da utilização do vegetal na composição de alguns rótulos.

Como a Hemmer e a BR Spices possuem um lado mais artesanal, uma mudança poderia impactar na imagem da empresa, diz Kuhar. "Seria um erro tirar o erro da qualidade. A sensibilidade que temos com a alimentação é muito grande. Se o consumidor perceber que o produto está mudando para pior, é capaz de procurar outra marca e não procurar mais", diz o professor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.