Em 2010, gasto deve chegar a R$ 104 bi

Apesar de alta, despesa com capital de giro deve ser menor neste ano do que a registrada em 2007 por causa da queda da taxa Selic

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Sem dinheiro em caixa. Prata, diretor da Asvac, diz que teve que cancelar a construção de nova fábrica porque um cliente atrasou o pagamento por 4 meses              

 

 

 

 

O estudo da Fiesp sobre o custo dos financiamentos para capital de giro projetou quanto a indústria brasileira de transformação vai desembolsar este ano com as despesas de capital de giro: R$ 104,02 bilhões. A cifra é 7,1% menor que a gasta em 2007, quando os fabricantes tiveram uma despesa de R$ 111,91 bilhões.

A redução do custo total do capital de giro entre 2007 e 2010 ocorre em razão da queda da taxa básica de juros, a Selic, e não por causa do spread bancário, que é a diferença entre a taxa de captação e de empréstimo oferecida pelos bancos, que aumentou no período, mostra o estudo.

Em 2007, o gasto com o spread bancário somou R$ 28,50 bilhões. Neste ano vai chegar a R$ 39,36 bilhões, uma alta de 38,2%. Já a fatia desembolsada por causa da Selic, que atingiu R$ 83,41 bilhões em 2007, recuou para R$ 64,65 bilhões neste ano. A queda é de 22,5%. "Essa redução do custo do capital de giro foi gerada apenas pela redução da Selic", ressalta José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.

Levando-se em conta apenas os dados brutos apurados pelo Banco Central (BC), o estudo da Fiesp mostra que, do final de 2007 até hoje, a taxa Selic encolheu 22% e o spread para pessoas jurídica aumentou 44%.

Inadimplência. Um dos fatores que fazem parte do spread e é apontado pelas instituições financeiras como um dos motivos para elevação dessa fatia do custo financeiro é a taxa de inadimplência das empresas. Mas o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas registrou queda de 9% no primeiro semestre deste ano, na comparação com os mesmos meses do ano passado.

"A tendência é de queda da inadimplência", afirma o assessor econômico da Serasa Experian, Carlos Henrique de Almeida. Estimuladas pelo bom momento econômico, as empresas, especialmente as de grande porte, estão pagando em dia suas dívidas. Ele observa que o seu indicador tem um espectro mais amplo que o apurado pelo BC, pois inclui todos os tipos de dívidas não honradas pelas empresas e que entram nos registros da Serasa Experian: títulos protestados, financiamentos bancários e cheques sem fundos.

Para o economista chefe da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, o estudo da Fiesp, porém, "compara dados incomparáveis". Para Sardenberg, não há dúvida de que o spread bruto no Brasil é alto. "Mas o nosso spread inclui a carga tributária, os compulsórios, a inadimplência, os custos de observância. Em outros países, é muito difícil que as condições sejam as mesmas."

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