Em 2014, perspectiva de um ano agrícola favorável

O 2.º Levantamento de Intenção de Plantio para a safra brasileira 2013/2014, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), prevê uma elevação de 3% da área plantada, com destaque para o algodão, o trigo e a soja, na comparação com a safra anterior. A produção agrícola parece promissora não só no Brasil, mas nos Estados Unidos, o maior produtor mundial, o que poderá evitar pressões de alta sobre os preços e sobre os índices de inflação, se o clima ajudar - dizem os estudos do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2013 | 02h07

O relatório de novembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) atualizou as estimativas para a safra 2013/2014, iniciada em setembro, prevendo colheita volumosa. Em 2012 e início de 2013, a alta das cotações de commodities agropecuárias contribuiu para fortes pressões inflacionárias.

Oferta abundante de bens agrícolas é importante para o Brasil, que usou (e abusou) da contenção sobre os preços administrados, neste ano, para evitar a explosão inflacionária. É presumível que esse expediente já não esteja disponível no ano eleitoral de 2014. Daí a importância de comportamento moderado dos preços totalmente sujeitos ao mercado, como os agrícolas.

Mas nem tudo é favorável neste terreno das safras. Se a produção global se elevar, os preços internacionais poderão ser menos atrativos. E o Brasil depende das exportações agropecuárias - ou seja, de produção e preços. Em outubro, por exemplo, as exportações do agronegócio renderam US$ 8,42 bilhões, queda de 12,6% em relação a outubro de 2012. Resultado pior do que o do período janeiro/outubro, quando as exportações do agronegócio atingiram US$ 86,4 bilhões e superaram em 6,9% as de igual período do ano passado, deixando um saldo líquido de US$ 72,1 bilhões.

A maior oferta de bens agrícolas significa, no entanto, pressões menores sobre a inflação do consumidor, apesar do custo não desprezível sobre a balança comercial e a conta corrente do balanço de pagamentos, muito piores em 2013 do que nos anos precedentes.

Em 2014, confirmadas as estimativas da Conab, o nível de produtividade agrícola crescerá 1% e a produção total de grãos deverá atingirá 194,5 milhões de toneladas. Lamentavelmente, as deficiências de infraestrutura impedirão que os produtores possam compensar uma queda ou estabilização das cotações com menores custos logísticos.

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