Rafael Neddrmeyer/Fotos Públicas
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Em 2015, 2,6 milhões de pessoas entraram na fila do desemprego

Brasil já tem 9,1 milhões de pessoas à procura de uma vaga, um aumento de 40,8% em relação a 2014; taxa de desemprego subiu para 9% no quarto trimestre de 2015, segundo a Pnad Contínua

Daniela Amorim, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2016 | 09h10

SÃO PAULO -  A população desocupada no País somava 9,1 milhões de pessoas no último trimestre de 2015, um aumento de 40,8% (ou mais 2,6 milhões de brasileiros) em relação ao mesmo período do ano anterior. É o maior crescimento já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012.

"Cai a população ocupada, cresce a população de 14 anos ou mais (em idade de trabalhar). De onde está vindo essa população desocupada? São essas pessoas que estariam fora da força de trabalho combinadas com as pessoas que perderam seu emprego", explicou o coordenador de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo.

A população em idade de trabalhar aumentou 1,1% no quarto trimestre de 2015 ante o mesmo período de 2014, 1,8 milhão de indivíduos a mais. Já a população ocupada encolheu 0,6% no mesmo período, com o corte de 600 mil postos de trabalho em um ano (o número de empregados com carteira assinada no setor privado, por exemplo, recuou 2,5%). O total de pessoas na inatividade também diminuiu, queda de 0,3% no quarto trimestre de 2015 em relação ao mesmo trimestre de 2014, ou seja, 187 mil inativos a menos.

Com isso, a taxa de desocupação no País avançou de 6,5%, no quarto trimestre de 2014, para 9% no mesmo período do ano passado - também o maior patamar desde 2012. Em 2015, a taxa de desemprego média foi de 8,5%, ante um resultado de 6,8% registrado em 2014.

A taxa de desocupação cresceu principalmente entre os homens, na faixa de 40 a 59 anos. "Aumentou mais a taxa de desemprego entre os homens. Isso faz com que aumente mais a população desocupada, porque muitas vezes ele é arrimo de família", acrescentou Azeredo.

Segundo o IBGE, o aumento foi disseminado por todas as regiões do País. No Norte, a taxa de desocupação saiu de 6,8%, no quarto trimestre de 2014, para 8,7% no mesmo período de 2015. No Nordeste, o resultado aumentou de 8,3% para 10,5%; no Sudeste, de 6,6% para 9,6%; no Sul, de 3,8% para 5,7%; e no Centro-Oeste, de 5,3% para 7,4%. 

O Amapá teve a maior taxa de desocupação entre as unidades da Federação, com 12,5% no quarto trimestre do ano passado. Santa Catarina teve o resultado mais baixo, de 4,2%. Entre as capitais, Macapá tinha a maior taxa de desemprego, de 14,6%. Rio de Janeiro e Campo Grande tiveram a mais baixa, de 5,2%. 

Indústria. Todos os Estados do Sudeste registraram no último trimestre de 2015 a maior taxa de desemprego da série histórica. As dispensas de trabalhadores da indústria estariam por trás do desempenho negativo.

"A região Sudeste é formada pelos Estados que têm as maiores indústrias, especialmente automobilística. De certa forma, é a situação que mostra redução (na ocupação), principalmente relacionada à indústria. É a região mais forte na indústria, e a região em que mais caiu (a ocupação)", afirmou Azeredo.

A indústria demitiu 1,065 milhão de trabalhadores no quarto trimestre de 2015 ante o quarto trimestre de 2014. No Estado de São Paulo, que tem o maior parque industrial do País, a taxa de desemprego média ficou em 9,3% em 2015, ante 7,1% em 2014. "Foi por conta da indústria, que foi quem mais dispensou (trabalhadores). E esse efeito farol pode ter reflexo posteriormente em outras regiões", disse Azeredo.

O pesquisador lembrou que São Paulo costuma antecipar movimentos que estão para acontecer em outras regiões do País. "Principalmente a região metropolitana de São Paulo prenuncia o movimento no mercado. Como tem uma presença muito forte economicamente, ela costuma anunciar movimentos (de contratação ou de dispensa de trabalhadores)", acrescentou ele.

No último trimestre de 2015, a taxa de desemprego em São Paulo atingiu 10,1%, bastante acima da média nacional para o período (9,0%).

Menos renda. A renda média real do trabalhador foi de R$ 1.913 no quarto trimestre de 2015, um recuo de 1,1% ante o terceiro trimestre do ano passado. O resultado representa ainda queda de 2,0% em relação ao mesmo período de 2014.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados, segundo o IBGE, somou R$ 171,5 bilhões no quarto trimestre de 2015, queda de 0,6% ante o terceiro trimestre e recuo de 2,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Desde janeiro de 2014, o IBGE passou a divulgar a taxa de desocupação em bases trimestrais para todo o território nacional. A nova pesquisa tem por objetivo substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange apenas seis regiões metropolitanas, e também a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) anual, que produz informações referentes somente ao mês de setembro de cada ano.

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