Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Em 2015, setor externo deu primeira contribuição positiva ao PIB desde 2005

O impacto foi de 2,7 pontos porcentuais, segundo o IBGE; alta do dólar ajudou a impulsionar as exportações

Daniela Amorim, Idiana Tomazelli, Mariana Sallowicz e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2016 | 11h49

RIO - A alta do dólar ante o real em 2015 ajudou o setor externo a dar a primeira contribuição positiva para o PIB brasileiro em dez anos. O impacto foi de 2,7 pontos porcentuais, segundo as Contas Nacionais Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última vez que o comércio exterior ajudou o desempenho da atividade econômica foi em 2005, com impacto de 0,6 ponto porcentual.

"Claro que a gente teve impacto da desvalorização cambial de 42% no ano. E aí a gente teve o volume da exportação de bens e serviços que cresceu, e a importação diminuiu", explicou Rebeca Palis, coordenadora das Contas Nacionais no IBGE. 

Em 2015, aumentaram as exportações da indústria extrativa mineral (petróleo e minério de ferro), agricultura (soja e milho), siderurgia e veículos automotores. 

Na direção oposta, encolheu a importação de máquinas e equipamentos, veículos automotores, petróleo e derivados, equipamentos eletrônicos e gastos de brasileiros com viagens no exterior.

"Essa contribuição positiva do setor externo não ocorria desde 2005, quando foi de 0,6 ponto porcentual. Depois a gente só teve contribuições negativas. Ou seja, o volume da importação foi maior que o da exportação esse período todo", acrescentou a pesquisadora do IBGE.

Em 2015, a exportação de bens e serviços cresceu 6,1%, enquanto a importação recuou 14,3%. Apesar do impacto positivo, o PIB ainda recuou 3,8% no ano, por conta da demanda interna, que contribuiu negativamente com 6,5 pontos porcentuais.

"A demanda interna contribuiu negativamente. Caiu o consumo do governo, das famílias e os investimentos", lembrou Rebeca. 

O impacto da demanda interna no PIB não era negativo desde 2003, quando ficou em -0,5 ponto porcentual. O resultado de 2015 foi ainda o mais negativo da série histórica, iniciada em 1996.

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