Bruna Justa / ESTADÃO
Bruna Justa / ESTADÃO

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 10h00
Atualizado 05 Dezembro 2018 | 12h41

RIO- Mesmo com o fim da recessão, a pobreza continuou crescendo no ano passado. De 2016 para 2017, 2 milhões de pessoas passaram para baixo da linha de pobreza do Banco Mundial, revelou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2018, pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 54,8 milhões de brasileiros estavam abaixo dessa faixa, ou seja, tinham renda domiciliar por pessoa inferior a R$ 406 por mês.

Na prática, cerca de um quarto da população (26,5%) está abaixo da linha de pobreza do Banco Mundial, que, para países com renda média-alta, como o Brasil, considera a linha de corte de US$ 5,50 por dia por pessoa – em valores de 2011, atualizados na pesquisa do IBGE. Em 2016, 52,8 milhões de brasileiros, ou 25,7% da população, estavam nessas condições.

Segundo André Simões, analista da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE e gerente da SIS 2018, a deterioração do mercado de trabalho é a principal responsável pelo crescimento da pobreza, já que a renda do trabalho responde por cerca de 70% do total de rendimentos. Embora a atividade econômica tenha voltado a crescer em 2017, deixando a recessão para trás, o pesquisador explicou que o crescimento foi maior na “agroindústria”, e o desemprego continuou elevado.

Na visão de Simões, o crescimento da pobreza em momentos de crise mostra a importância das políticas sociais, com foco em redistribuição de renda, mercado de trabalho e no crescimento econômico.

“E, claro, as políticas de transferência de renda, que são importantes em momentos de crise. Os países que possuem sistemas de proteção social sólidos, em momentos de crise, estão mais aptos a garantir condições de vida dignas para suas populações”, disse o pesquisador, após apresentar os dados em uma das sedes do IBGE, no Rio.

Os dados do IBGE confirmam que a pobreza está regionalmente localizada no Brasil. No Nordeste, 44,8% dos 57 milhões de habitantes estão abaixo da linha de pobreza. São 25,6 milhões de pessoas – a metade do total nacional – vivendo com menos de R$ 406 mensais por pessoa. Enquanto isso, no Sul, 12,8% da população de 29,6 milhões de habitantes está abaixo dessa linha. São 3,8 milhões de pessoas.

A linha de pobreza do Banco Mundial equivale a menos de um terço da renda média dos brasileiros em 2017 – R$ 1.511, considerando o rendimento médio mensal domiciliar per capita. Também aí há grandes desigualdades regionais. Enquanto no Nordeste a renda média foi de R$ 984, no Centro-Oeste foi de R$ 1.776, com destaque para o Distrito Federal, com rendimento médio de R$ 3.087.

O contingente de extremamente pobres também cresceu em 2017, com 1,7 milhão de brasileiros a mais nesse grupo. No ano passado, eram 15,2 milhões de pessoas, ou 7,4% da população, vivendo abaixo da linha de extrema pobreza do Banco Mundial, equivalente a apenas R$ 140 por mês na renda domiciliar por pessoa. Em 2016, 13,5 milhões, ou 6,6% da população, estavam nessa condição.

Simões ressaltou que a SIS 2018, assim como a edição do ano anterior, adotou uma série de linhas de pobreza. Além dos valores propostas pelo Banco Mundial, foram usados o salário mínimo e o limite de corte do Bolsa Família. “O Brasil ainda não possui uma linha de pobreza oficial que vá pautar análises e políticas”, disse o pesquisador do IBGE.

De acordo com Simões, a linha de US$ 5,50 por pessoa por dia foi proposta pelo Banco Mundial no ano passado. A linha tradicional, atualmente em US$ 1,90 por pessoa por dia, foi estabelecida tendo como referência países extremamente pobres, a maioria na África. O limite mais elevado seria mais adequado para países de economia emergente, como o Brasil.

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Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 10h07

RIO- Com a transferência de cerca de R$ 10,2 bilhões por mês seria possível tirar os 54,8 milhões de brasileiros que estão abaixo da linha de pobreza dessa condição, conforme cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quarta-feira, 5, na Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2018. O valor equivale a R$ 122,4 bilhões ao ano, mais ou menos quatro vezes o tamanho do orçamento anual do Bolsa Família.

O cálculo parte do “hiato de pobreza”, indicador do Banco Mundial criado para medir a distância dos indivíduos da linha de pobreza. Na média, os brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza precisariam ampliar suas rendas em R$ 187 por mês para sair da pobreza. Em 2016, essa diferença era menor, de R$ 183 mensais.

No caso dos 15,2 milhões de brasileiros que estavam abaixo da linha de extrema pobreza em 2017, seria necessária uma transferência de renda de R$ 1,2 bilhão ao mês (R$ 14,4 bilhões por ano) para tirar todo esse contingente dessa situação. Na média, cada brasileiro extremamente pobre precisaria ampliar sua renda em R$ 77 por mês para sair dessa condição.

O IBGE alertou que esse cálculo é aproximado, “pois considera que há perfeita identificação das pessoas abaixo da linha e alocação de recursos, sem custos operacionais e sem eventuais efeitos inflacionários desse investimento”.

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Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2018 | 10h18

RIO – Mesmo com o fim da recessão, a concentração de renda continuou crescendo no ano passado. Considerando a renda total domiciliar por pessoa, o Índice de Gini aumentou de 0,546 em 2016 para 0,549 em 2017 – quanto mais perto de 1,0, maior a desigualdade. Já a alta do Índice de Palma passou de 3,47 em 2016 para 3,51 em 2017.

O Índice de Palma representa a razão entre a parcela do rendimento apropriada pelos 10% das pessoas com maiores rendimentos em comparação à parcela apropriada pelos 40% com menores rendimentos. Isso significa que os rendimentos dos 20,7 milhões de brasileiros que estão no topo da pirâmide social equivalia, em 2017, a três vezes e meia da renda média dos 82,8 milhões que estão na base das faixas de rendimento.

A comparação entre dois extremos regionais, Maranhão e Santa Catarina, ilustra bem as desigualdades. O Maranhão é o Estado mais pobre do País, com rendimento domiciliar por pessoa de R$ 710, na média – menos da metade da média nacional em 2017, de R$ 1.511.

O Maranhão é também o Estado com maior proporção da população vivendo abaixo tanto da linha de pobreza quanto de extrema pobreza, conforme a classificação do Banco Mundial. São 54,1% dos maranhenses vivendo com menos de R$ 406 mensais por pessoa, um contingente de 3,8 milhões de pessoas. Dessas pessoas, 1,4 milhão vivem com menos de R$ 140 mensais por pessoa – um quinto da população maranhense (19,8% do total) está nessas condições.

Já Santa Catarina, onde moram 6,9 milhões de brasileiros, mesma população do Maranhão, é o Estado com a menor proporção da população vivendo abaixo da linha de pobreza. Apenas 8,5% dos catarinenses vivem com menos de R$ 406 mensais por pessoas. São 600 mil pessoas. A renda média de 2017 em Santa Catarina ficou em R$ 1.805, bem abaixo dos R$ 3.087 do Distrito Federal, mas o Índice de Gini catarinense é o menor do País, com 0,421 em 2017.

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