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'Em 2021, vamos ter o ano todo de negócios. Há muito, não temos isso', diz advogado

Carlos Lobo lembra que, pelo menos desde 2016, sempre ocorre algo que freia as operações de fusões e aquisições no Brasil

Entrevista com

Carlos Lobo, sócio do Hughes Hubbard & Reed LLP em Nova York

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2021 | 05h00

Recém-contratado pelo escritório americano Hughes Hubbard & Reed LLP para atender investidores estrangeiros interessados no Brasil, o advogado Carlos Lobo diz que, apesar da crise sanitária e econômica no País, a imagem brasileira no exterior não está tão deteriorada. “Se a gente compara com China, Rússia, Índia, África do Sul, Indonésia, México e Argentina, todo mundo tem problemas”, diz. “Claro que as declarações do presidente de que a pandemia é bobagem aparecem nas manchetes internacionais, mas o investidor não vê (a situação brasileira como) algo que sai tanto da curva.” Para Lobo, 2021 pode ser um dos melhores anos para fusões e aquisições no País, dado que, pelo menos desde 2016, todo ano houve algum episódio que freou os negócios.

Como o investidor estrangeiro está vendo o Brasil?

No Brasil, às vezes a gente está muito próximo do problema e acaba achando que nossos problemas são os maiores do mundo. A realidade é que o Brasil, quando você olha de uma perspectiva mais ampla, continua atraente para o investidor estrangeiro. Se a gente compara com China, Rússia, Índia, África do Sul, Indonésia, México, Argentina, todo mundo tem problemas. O Brasil tem um ambiente político que, para nós, pode ser altamente instável, com todas as declarações do presidente, mas é estável se você pensar que o presidente foi eleito democraticamente, que há uma divisão de poderes, que a promulgação de leis não vem do Executivo. Ainda que haja demora no Judiciário, suspeitas de corrupção em algum caso,  os investidores  têm  contratos respeitados. 

A crise na saúde não mudou, então, o modo como o investidor vê o Brasil?

Nessa questão, acho que ninguém pode contar muita vantagem. Com poucas exceções, o mundo está colocando os pés pelas mãos. Quem está no Brasil e está vivendo o dia a dia das questões dos hospitais e de um programa de vacinação capenga, fica frustrado. Claro que as declarações do presidente de que a pandemia é bobagem aparecem nas manchetes internacionais, mas o investidor não vê (a situação brasileira) como algo que sai tanto da curva.

Com esse cenário, o que projeta para o mercado brasileiro de fusões e aquisições neste ano?

Deve continuar positivo. No ano passado, o primeiro semestre foi complicado por conta da pandemia, mas o segundo já foi ativo e entramos em 2021 nesse ritmo. Se tudo der certo, vamos ter um ano inteiro de negócios. Há muito tempo não temos isso. Ano passado teve pandemia. O anterior era primeiro de mandato do Bolsonaro e os primeiros meses foram complicados. 2018, ano de eleição. 2017 teve o caso Temer, que parou o País. 2016, o impeachment da Dilma. Há anos estamos com algo paralisando o ambiente de negócios por alguns meses. A menos que venha algo não previsto, pode ser um ano muito positivo se comparado com os anteriores. O mercado de capitais não dá sinais de arrefecimento.

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