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Em 3 meses, grandes bancos elevam reservas contra calotes em R$ 7 bi

Com expectativa de inadimplência recorde, em um ano os 20 maiores bancos elevaram as reservas em 48%

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

Os cinco maiores bancos do País - Itaú-Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander Real e Caixa - aumentaram em quase R$ 7 bilhões as provisões adicionais para créditos duvidosos no quarto trimestre do ano passado. Provisões adicionais são aquelas que superam o montante definido pelas regras do Banco Central (BC). Como explicou ontem o presidente executivo do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, o movimento sincronizado se deve à expectativa de alta da inadimplência ao longo de 2009, principalmente no primeiro semestre. "Achamos que era prudente reforçar o balanço, especialmente por causa do cenário incerto", disse ele, ontem, durante a apresentação dos resultados do exercício de 2008. "O ajuste da economia brasileira às novas condições da economia mundial levará algum tempo e reduzirá o crescimento, aumentará o desemprego e (por tabela) a inadimplência", observou Setubal.O Itaú-Unibanco fez, individualmente, a maior provisão adicional de todos: R$ 3,023 bilhões no quarto trimestre. O BB reservou R$ 1,7 bilhão, o Bradesco, R$ 597 milhões, a Caixa, R$ 1,3 bilhão, e o Santander Real, R$ 156 milhões. Levantamento da agência de classificação de risco Austin Rating, feito com base em 20 balanços de bancos já divulgados, revela que o saldo de provisões em dezembro de 2008 era de R$ 55,9 bilhões, 48,4% mais que em dezembro do ano anterior. O saldo é resultado da diferença de provisão entre o período inicial da pesquisa e o final. Em outras palavras, em 2008, os bancos aumentaram suas reservas anticalote em quase R$ 60 bilhões. Embora parte disso se deva ao próprio crescimento de 31% do crédito no País no ano passado, uma parcela expressiva é explicada pela expectativa de aumento da inadimplência. "Esses números mostram que os bancos estão sendo prudentes e antecipam um primeiro trimestre com alta do calote", disse o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu. Ele explicou que, caso a previsão não se confirme, os bancos podem reverter as provisões. Se isso ocorrer, o dinheiro será contabilizado como lucro. O Banco Central (BC) divulga hoje de manhã o relatório de política monetária e crédito referente a janeiro, que deve deixar mais clara a situação. A previsão de analistas é de que a taxa de inadimplência de pessoas físicas suba em relação a dezembro do ano passado, quando fechou em 8,14% do total. Mais até: nessa medição do BC, iniciada em meados de 2000, o índice de inadimplência deve bater o pico histórico em algum momento do primeiro semestre. Até agora, a maior taxa já registrada foi em maio de 2002, com 8,44%. "Em algum momento deste ano, estaremos com um nível de inadimplência recorde", confirmou Setubal. No Itaú-Unibanco, as operações de crédito vencidas há mais de 60 dias cresceram de 4,6% no terceiro trimestre para 4,8% nos três últimos meses do ano passado. "Não houve um destaque especial em nenhum setor. A inadimplência cresceu de forma uniforme entre todos", explicou Setubal. Apesar do aumento das provisões excedentes, o presidente executivo do Itaú-Unibanco não quis estimar um número para 2009. No Bradesco, que divulgou o resultado no dia 2 de fevereiro, o índice que mede os atrasos superiores a 90 dias entre as pessoas físicas avançou de 6,6% no terceiro trimestre para 6,7% entre outubro e dezembro. Nas pequenas, médias e microempresas, foi de 2,4% para 2,7%. Nas grandes companhias, saiu de 0,3% para 0,5%. Ao anunciar, no fim de janeiro, a provisão adicional de R$ 1,7 bilhão, o BB classificou a medida de "ação preventiva". Isso porque, no fim do ano passado, as operações de empréstimo com atraso superior a 90 dias equivaliam a 2,4% do total, abaixo dos 2,7% no mesmo mês de 2007. Nas pessoas físicas, modalidade na qual os indicadores de calote costumam ser mais elevados, o porcentual recuou de 6,3% para 5,9%.

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