Em 4 anos, EUA derramam um PIB brasileiro no mercado

Até janeiro, programas de compra de ativos terão atingido US$ 2,5 trilhões

Sílvio Guedes Crespo, de Economia & Negócios,

21 de setembro de 2012 | 17h54

Texto atualizado às 19h42

Os recursos que os Estados Unidos vêm colocando no mercado desde o final de 2008 para combater a crise, por meio da criação de dinheiro, devem somar US$ 2,5 trilhões até janeiro.

Na primeira rodada do programa que ficou conhecido como "quantitative easing" (QE), em que o Federal Reserve imprime dinheiro para estimular a economia, foi criado US$ 1,75 trilhão entre novembro de 2008 e março de 2009. Na segunda etapa, apelidada de QE2, mais US$ 600 bilhões foram colocados na economia de novembro de 2010 a junho de 2011.

Na semana passada, o Fed anunciou que fará emissão mensal de US$ 40 bilhões, por prazo indeterminado. Se durar apenas quatro meses, o total de dinheiro impresso nos programas de afrouxamento quantitativo atingirá a soma de US$ 2,5 trilhões. Em 2011, o PIB (produto interno bruto) do Brasil somou US$ 2,49 trilhões, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, mais uma vez criticou a medida e ameaçou aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para evitar uma elevação muito forte da entrada de dólares no Brasil.

Na semana encerrada no dia 12, um dia antes de o Fed anunciar o QE3, o saldo da entrada de dólares em fundos de ações voltados para países emergentes ficou em US$ 447 milhões; Na semana seguinte, passou para US$ 4,3 bilhões, segundo informações da EPFR Global divulgadas na Agência Estado.

Ajuste

Se por um lado a crise levou os Estados Unidos e o Reino Unido, históricos defensores do livre mercado, a recorrem à impressão de dinheiro, o que representa uma forte intervenção do Estado na economia, por outro obrigou os países da Europa Latina e a Grécia, conhecidos por defenderem gastos públicos como um pilar importante do desenvolvimento, a implementar - ainda que a contragosto - enormes programas de ajuste fiscal.

A França, sob o socialista François Hollande, anunciou no dia 10 um plano para cortar 30 bilhões de euros do déficit do orçamento em um ano, por meio de contenção de gastos estatais e aumento de impostos. Na Espanha, os números mais recentes davam conta de que o ajuste fiscal somaria 56 bilhões de euros.

A Grécia está enfrentando o ajuste fiscal mais duro, uma vez que o déficit das suas contas públicas (diferença entre receitas e despesas do Estado) chegou a atingir a elevada taxa de 15,6% do PIB em 2009. Em 2011, baixou para 9,2%, proporção ainda considerada alta.

Nos EUA, democratas e republicanos ainda não chegaram a um acordo sobre o ajuste fiscal. O rombo nas contas públicas do país chegou a 13% em 2009 e baixou para 9,6% em 2011. No Reino Unido, o indicador recuou de 10,4% para 8,7% no período.

 

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