DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Vendas no varejo recuam 0,9% em agosto, a maior queda para o mês em 15 anos

Segundo dados do IBGE, comércio varejista teve em agosto o sétimo mês seguido de queda; no ano, as vendas do varejo acumulam baixa de 3% e, em 12 meses, de 1,5%

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

14 de outubro de 2015 | 09h16

RIO - As vendas do comércio varejista caíram 0,9% em agosto ante julho, a maior queda para o mês desde 2000, quando a baixa foi de 1%. Com o resultado, as vendas registraram o sétimo mês seguido de queda, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Nesse período de sete baixas, o setor acumulou uma perda de 6,4% A atividade está 8,9% abaixo do pico da série, observado em novembro de 2014. Uma sequência tão grande de quedas só foi vista entre janeiro e julho de 2001. Naquele período, porém, a perda acumulada foi menor, de 2,9%.

Na comparação com agosto do ano passado, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram queda de 6,9% em agosto deste ano. Essa foi a pior redução para o mês de toda a série da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), iniciada em 2000 e com dados a partir de 2001 para este confronto.

Até agosto, as vendas do varejo restrito acumulam queda de 3% no ano e recuo de 1,5% nos últimos 12 meses. O resultado mensal coincide com o piso das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que esperavam desde uma queda de 0,30% até um recuo de 0,90%, com mediana negativa em 0,60%.

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'Nos oito meses de 2015, dois anos de crescimento foram jogados fora' - economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria Integrada
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A queda de 3% no volume de vendas no acumulado do ano já fez o segmento retroceder a níveis de 2012, segundo o economista Rodrigo Baggi, da Tendências Consultoria Integrada. "Nos oito meses de 2015, dois anos de crescimento foram jogados fora", comentou. Na avaliação do especialista, o processo de reversão do crescimento do setor tem sido "muito forte em 2015" e deve se estender ao longo de 2016. "Até o ano que vem, vão ser de três a quatro anos de retrocesso em termos de volume de vendas para o varejo", disse ao comentar os resultados.

O resultado fraco irá impactar o desempenho da economia neste ano. A retração das vendas do varejo em agosto é compatível com uma queda do PIB perto de 1% no 3º trimestre, na margem, o que sugere que a economia vai recuar próximo de 3% no ano, comentou Rodrigo Melo, economista-chefe do Icatu Vanguarda. "Em 2015, o varejo restrito deve cair perto de 4% e o ampliado baixar ao redor de 8% em função de uma série de fatores, como inflação alta, perda de rendimento real dos trabalhadores e avanço do desemprego", comentou.

Varejo ampliado. As vendas do varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, caíram 2% em agosto, o recuo mais intenso para o mês desde 2008, quando também houve retração de 2%Esses dois resultados, por sua vez, são os piores da série, iniciada em 2003.

Na comparação com agosto do ano passado, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram queda de 9,6%. A queda neste tipo de comparação foi a maior da série, que tem dados desde 2004.

Até agosto, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam queda de 6,9% no ano e recuo de 5,2% nos últimos 12 meses.

Vendas mais fracas. O IBGE revisou para baixo diversos números do varejo. O índice caiu 1,6% em julho, mais do que a queda de 1% apurada inicialmente. Além disso, o recuo de 0,5% junho ante maio foi revisado para uma queda de 0,6%, enquanto o resultado de maio ante abril foi modificado de -0,9% para -1%.

Já no varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, as vendas em julho ante junho foram revisadas para alta de 0,5%, ante aumento de 0,6% na leitura inicial. Em junho ante maio, a queda de 0,7% foi revisada para recuo de 1%.

Setores. A queda nas vendas em agosto foi acompanhada por seis dos oito setores investigados pelo IBGE. O segmento de móveis e eletrodomésticos marcou um dos piores resultados do período, com recuo de 2% nas vendas. O setor de combustíveis e lubrificantes, por sua vez, registrou retração de 1,3% no volume de vendas em agosto ante julho.

Também tiveram quedas os setores de hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,1%), tecidos, vestuário e calçados (-1,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (-2,6%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,2%).

As únicas altas vieram de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,6%) e de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1%). Quando considerado o varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, a queda teve como destaque a retração de 5,2% nas vendas de veículos no período. O setor de material de construção, por sua vez, registrou perda de 2,3%.

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