Em 8 anos, energia sobe 246% no País e 35,3% nos EUA

Levantamento da MB Associados também mostra que gás natural custa US$ 15 por milhão de BTU, ante US$ 2,5 nos Estados Unidos

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2012 | 03h10

Os preços pagos na indústria pela energia elétrica subiram espantosos 246% no Brasil entre 2003 e 2011, enquanto a alta nos Estados Unidos foi de 35,3%, aponta levantamento da MB Associados.

O gás natural - outro importante insumo para a produção industrial - custa hoje US$ 15 por milhão de BTU (British Thermal Unit - medida padrão do setor) em Camaçari, na Bahia.

Em Henry Hub, na Louisiana, o gás natural está cotado a US$ 2,50 por milhão de BTU. Essa é a região usada para balizar os preços dos contratos futuros de gás na Bolsa de Nova York.

De acordo com Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, os preços do gás natural devem se manter baixos nos Estados Unidos por causa do início da exploração das imensas jazidas de gás de xisto do país.

"Com insumos e mão de obra mais baratos, os Estados Unidos estão se tornando novamente atrativos para a produção industrial", disse Vale.

China. Não é só em relação ao Brasil que o remédio amargo da crise fortaleceu a indústria dos Estados Unidos. Estudo do Boston Consulting Group (BCG) prevê que em apenas cinco anos os custos de produção dos EUA e da China estarão praticamente equiparados.

O levantamento projeta um aumento de 15% a 20% para o salário médio na China por ano até 2015. Os chineses ainda vão receber menos que os americanos, mas a diferença não vai compensar gastos com transporte, aluguéis ou tarifas de importação.

A expectativa é que as unidades instaladas na China se voltem para o mercado local, que promete crescer à medida que o governo estimula o consumo.

Já os EUA começariam a recuperar parte do parque industrial que perderam para o gigante asiático. "A realocação industrial está em fase inicial e vai variar de setor para o setor, mas os EUA estão se tornando um país de baixo custo", diz o BCG. "Carolina do Sul, Tennessee e Alabama vão se transformar em alguns dos lugares de menor custo de produção do mundo."

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