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Para Mauro Calil, é interessante levar parte do dinheiro em real dependendo do destino Divulgação

EM ANO DE FORTE SOBE E DESCE DO DÓLAR, SAIBA COMO FAZER A VIAGEM CABER NO ORÇAMENTO

Comprar agora ou esperar? Levar dinheiro ou cartão? Cinco especialistas respondem estas e outras dúvidas de turistas que vão para o exterior

Jamylle Mol - Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2015 | 09h31

Após bater recordes históricos e atingir R$ 4,24, o dólar diminuiu a alta nas últimas semanas. Apesar do alívio momentâneo, a verdade é uma só: em um ano, a moeda americana ficou aproximadamente R$ 1,50 mais cara, um pesadelo para quem tem viagem marcada para o exterior. O sobe e desce levanta dúvidas e, segundo especialistas, a incerteza em relação ao mercado cambial exige cuidados na hora de comprar dólar. Mas, com algumas ações, ainda é possível garantir uma viagem dentro do orçamento.

O consultor educacional da Corretora Rico, Conrado Navarro, diz que o fundamental é evitar o endividamento no cenário atual. Para isso, quem vai para o exterior deve planejar o roteiro com antecedência. "Com a volatilidade do momento, é um desafio programar uma viagem", afirma.

Para Antônio Jordão, gerente de câmbio turismo da Tov Corretora, a escolha do país de destino também influencia muito nas decisões que o viajante deve tomar para garantir uma viagem econômica.

Uma das grandes dúvidas de quem vai viajar surge na hora de definir como pagar as contas no exterior. De acordo com Juvenal dos Santos, diretor de varejo da Confidence Câmbio, é aconselhável levar dinheiro em espécie, mas também em cartão, para se ter uma garantia em casos de emergências.

Para Alexandre Fialho, diretor da Cotação, dar preferência à moeda do país de destino e poupar o uso do cartão é uma opção mais vantajosa para quem quer economiza no câmbio e em taxas.

Num cenário econômico instável, poucos arriscam a projetar a cotação da moeda nos últimos meses de 2015. Para o especialista em investimentos do Banco Ourinvest, Mauro Calil, a tendência é de que o dólar comercial continue a subir nas próximas semanas e varie entre R$ 4 e R$ 4,25. "No momento, não há perspectiva de melhora", explica.

O Estado consultou os cinco especialistas sobre algumas das principais dúvidas de quem viaja para fora do País em tempos de alta do dólar.

Para Mauro Calil, é interessante levar parte do dinheiro em real dependendo do destino

1. É melhor comprar dólares agora ou esperar um pouco mais?

Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest: É melhor comprar agora porque não há uma previsão de queda. A estimativa é de que o dólar oscile entre R$ 4 e R$ 4,25. Por isso, aqueles que já têm o dinheiro devem comprar o quanto antes. Também é aconselhável comprar os dólares em uma única parcela. Dessa forma, o viajante só pagará a taxa fixa que normalmente é cobrada na hora de fechar o câmbio uma única vez.

Conrado Navarro, consultor educacional da Corretora Rico: Essa escolha depende dos objetivos do viajante. Para quem vai viajar em menos de seis meses, é preferível concentrar a maior parte das compras agora. Para viagens marcadas para daqui a seis meses ou um ano, o ideal é fazer a compra pausada, dividida entre os meses que antecedem a viagem. Dessa forma, o preço médio pode ser mais interessante do que tentar adivinhar a melhor hora específica para comprar dólares, que não sabemos qual é.

Juvenal dos Santos, diretor de varejo da Confidence Câmbio: Se ainda há um tempo antes da viagem, como três meses, o melhor é dividir a compra. Dessa forma, o viajante se protege da oscilação. Ao comprar aos poucos, na média final, ele não perdeu, nem ganhou. Mas, se a viagem já está em cima da hora, o viajante terá que enfrentar o preço da forma como está agora.

Alexandre Fialho, diretor da Cotação: O importante é dividir a compra para tirar essa angústia e esse peso de encontrar um dia ideal para fazer a transação. Dessa forma o viajante tem uma média de preços e, mesmo que não tenha a melhor taxa de câmbio, também não terá a pior. Além disso, a parte psicológica pesa muito, já que alivia a tensão de acompanhar o mercado sempre.

Antônio Jordão, gerente de câmbio turismo da Tov Corretora: Vale lembrar que a tendência é de alta. Se o valor pretendido for superior a US$ 1 mil, o ideal é realizar compras parciais. No final, a taxa média poderá ser melhor. 

2. Para viagens dentro da América Latina é preferível levar dólares ou reais?

Mauro Calil: Depende de qual é o destino da viagem. Alguns países são muito dolarizados, como o Peru, o Uruguai e, principalmente, a Argentina, que vem passando por altas no dólar. Para viagens a esses países, vale a pena levar 10% em moeda local e 90% em dólares. Assim, o viajante pode usar os dólares mediante a necessidade, trocando a moeda em casas de câmbio de acordo com o valor oficial ou no mercado alternativo. Há alguns países que aceitam reais também, como o Paraguai, o Uruguai (em que o real é mais ou menos bem aceito) e a Argentina, na região de Buenos Aires.

Conrado Navarro: Em alguns destinos latino-americanos, a nossa moeda está bem aceita. Nesses casos, vale levar reais. Assim, o custo de operação é mais baixo, já que o viajante saca o dinheiro dentro do Brasil e faz a conversão no lugar em que estiver. É preciso estar atento à taxa de conversão em algumas lojas e estabelecimentos internacionais. Por isso, vale muito a pena trocar ideia com outros viajantes e pesquisar em fóruns de internet para conhecer os lugares com boas taxas de conversão. Se a viagem é para a Argentina e o viajante já tem dólares, vale a pena levá-los. Mas, se quem viaja ainda não comprou os dólares, é preciso estar atento às taxas de conversão e ver qual é a opção mais viável.

Juvenal dos Santos: O dólar é uma moeda universal e líquida em qualquer lugar do mundo e o real não é uma moeda tão líquida assim. No entanto, o ideal é ir com a moeda local do destino. Ao fazer o câmbio no Brasil, o viajante evita uma operação a mais. É uma questão de conveniência e de poupar a cobrança de taxas.

Alexandre Fialho: O melhor é levar a moeda do país de destino. Dessa forma, o viajante evita uma nova operação de câmbio desnecessária e que, em alguns países mais turísticos, pode chegar a ser abusiva. Essa dica se adapta não só a países da América Latina: é preferível optar pela moeda local. O único país em que pode ser melhor levar dólares é a Argentina, onde o dólar está muito valorizado.

Antônio Jordão: Essa escolha dependerá muito do local de destino. Se o viajante for para a Argentina, por exemplo, o ideal é levar dólares americanos, que, no momento, valem 14/1 em relação ao peso, e também reais. Para outros países, o ideal é levar moeda corrente local.

Juvenal dos Santos avalia que se ainda há um tempo antes da viagem, como três meses, o melhor é dividir a compra

3. É mais indicado usar dinheiro em espécie ou cartão para gastos no exterior?

Mauro Calil: É preferível levar o dinheiro em espécie porque, dessa forma, o viajante não paga a taxa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O aconselhável é usar o cartão de crédito apenas em casos de emergência. Além disso, nos cartões, o câmbio sempre segue o dólar oficial e, por isso, o viajante pode perder a oportunidade de trocar a moeda por um valor melhor no mercado alternativo.

Conrado Navarro: O melhor é equilibrar. O viajante deve calcular a quantidade de dinheiro que vai usar e chegar ao valor de um gasto médio por dia. A partir disso, é aconselhável levar 30% do valor definido para a viagem em dinheiro vivo e 70% no cartão pré-pago. Essa é uma opção interessante porque o viajante garante o dia a dia no dinheiro em espécie e usa o 70% restante em estabelecimentos que aceitam o cartão, como lojas e restaurantes. Além disso, os cartões são uma segurança a mais, caso aconteça algum problema com o dinheiro em espécie, como assalto ou perda.

Juvenal dos Santos: Hoje, o cartão é um produto caro quando comparado ao dinheiro em espécie. Mas, apesar de estar caro, é aconselhável levar o cartão além de um volume razoável de dinheiro para curtir a viagem. Por exemplo, se o viajante leva US$ 5 mil no total, é uma boa ideia levar US$ 4 mil em espécie e US$ 1 mil em algum cartão. Assim, caso aconteça algo com o dinheiro em espécie, o cartão é uma possibilidade para momentos de emergências.

Alexandre Fialho: Varia muito de viajante para viajante, de quais são as prioridades e qual é o tipo de viagem. Por exemplo: para o pai que manda o filho para um intercâmbio, o custo benefício do cartão é muito melhor porque dá mais segurança e permite que a família acompanhe o extrato online. Mas, para o viajante que prioriza a preocupação com os gastos, o melhor é levar o dinheiro em espécie e evitar taxas de IOF.

Antônio Jordão: O local de destino faz toda a diferença. Se o cliente levar a moeda corrente local em espécie, terá mais facilidade. Isso também se aplica ao cartão de débito, desde que esteja em moeda corrente local. Caso contrário, haverá taxa de conversão cambial.

Conrrado Navarro acredita ser interessante dividir a compra entre moeda física e cartão pré-pago

4. Para aqueles que preferem usar o cartão nas viagens, qual é a melhor alternativa: cartão de crédito, cartão de débito ou cartão pré-pago?

Mauro Calil: A vantagem do cartão pré-pago é que o viajante já sabe quanto pode gastar. Se inserir US$ 1 mil no cartão, poderá gastar até esses US$ 1 mil. Assim, é mais fácil controlar os gastos. Além disso, a taxa de IOF é paga no momento do câmbio, o que pode evitar alguma surpresa desagradável. O cartão de crédito, por sua vez, não tem a mesma garantia, já que o viajante pagará a taxa de IOF e seguirá o valor do câmbio na data de cobrança da fatura. O cartão de débito é parecido ao cartão de crédito, mas segue o câmbio do momento da compra.

Conrado Navarro: O cartão pré-pago permite inserir os dólares de maneira pausada e, além disso, o viajante já conhece a taxa de conversão da moeda no momento em que insere o dinheiro. Por tudo isso, é a opção mais prática e fácil. Já o cartão de crédito depende muito da variação da moeda, o que torna mais difícil manter o que foi planejado inicialmente. O cartão de débito pode variar de acordo com a instituição financeira, então é preciso conhecer as características do cartão antes de viajar para evitar surpresas.

Juvenal dos Santos: O cartão de débito e o pré-pago estão em categorias parecidas, mas o débito é mais propício às mudanças de mercado. O pré-pago, por sua vez, permite que o viajante insira aos poucos o valor que quer levar para a viagem. Dessa maneira, se protege da oscilação cambial, já que a partir do momento que inseriu o dinheiro, já está na moeda estrangeira.

Alexandre Fialho: Se possível, o melhor é fazer o planejamento e transferir os gastos do cartão de crédito para o cartão pré-pago. O cartão de crédito enfrenta a incerteza da moeda, já que o viajante só saberá efetivamente quanto custou a viagem na data de cobrança da fatura. Se conseguir comprar a carga para o pré-pago, terá o mesmo beneficio do cartão de crédito e evitará a necessidade de fazer contas depois da viagem para descobrir quanto gastou realmente.

Antônio Jordão: É preciso estar atento, já que o cartão de débito não tem risco cambial, enquanto o cartão de crédito, sim.

5. Qual é o conselho para quem quer viajar para fora do País mesmo com o dólar em alta?

Mauro Calil: O principal conselho é refazer as contas frente ao novo dólar. Há um mês o cenário era outro, o dólar valia menos. Então, para se adaptar ao contexto atual, é preciso levar mais dinheiro ou mudar o roteiro dos passeios.

Conrado Navarro: No atual cenário, é um desafio programar uma viagem, devido à volatilidade do momento e das cotações. O ideal é planejar a viagem com ainda mais antecedência e garantir uma maior tranquilidade na hora de trocar as moedas. É fundamental não correr o risco de ter que se endividar pra cumprir o programa da viagem, o que tem acontecido muito com algumas famílias. Outra dica é rever se não vale a pena adiar a viagem por um tempo para planejar melhor. Se essa é uma possibilidade, é aconselhável e pode evitar o endividamento posterior.

Juvenal dos Santos: É sempre importante fazer um planejamento prévio para que o viajante tenha uma ideia dos seus gastos diários e poder calcular quanto levar. Também é aconselhável conhecer a valorização das moedas pelo mundo e ter ideia do custo de vida no país de destino. Escolher o melhor provedor de serviços na hora de trocar a moeda também é fundamental. Depois, é só fazer as malas e se divertir.

Alexandre Fialho: As três dicas principais são: dividir a compra do dólar, levar a moeda do país de destino e evitar o cartão de crédito, que está à mercê da oscilação.

Antônio Jordão: A dica hoje é realizar compras parciais do dólar até a data próxima da viagem, levar moeda corrente local e um pouco de dinheiro no cartão de débito. Assim, o viajante fica mais protegido em caso de emergências - como casos de roubo ou perda do dinheiro em espécie -, o que vale a pena, mesmo com a cobrança de IOF.

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