Em ano difícil, empresa demite e reduz investimentos

Depois de elevar em 30% o faturamento no Brasil em 2010, LG desacelera e espera apenas repetir resultado neste ano

O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h06

O adiamento da construção da fábrica de linha branca, em Paulínia (SP), é mais um sinal de que a crise na multinacional coreana chegou ao Brasil. O ano de 2011 tem sido difícil para a empresa, com resultados financeiros globais ruins. No terceiro trimestre divulgou prejuízo líquido de US$ 367 milhões, mais de sete vezes acima do esperado pelo mercado financeiro.

Um dos piores resultados foi o da divisão de celulares. A empresa tem enfrentado dificuldades em concorrer globalmente com os lançamentos da Apple e da sua conterrânea Samsung. A LG acumula seis trimestres consecutivos de perdas no segmento - só no terceiro trimestre de 2011, o prejuízo da divisão somou US$ 124 milhões. Em julho, a empresa reduziu sua projeção de vendas de celulares de 150 milhões para 114 milhões de unidades em 2011. E, de smartphones, de 30 milhões para 24 milhões.

A reação da empresa à crise foi corte de custos. A LG Display, unidade de telas planas do grupo, reduziu em 25% os investimentos previstos para 2012, para US$ 2,8 bilhões, o patamar mais baixo em quatro anos, segundo a agência Reuters. A companhia também divulgou que não pretendia construir fábricas novas para a divisão.

Demissão. Apesar de ser considerado um dos mercados mais promissores para os produtos da gigante coreana, o Brasil não passa ileso pela crise. Em setembro, a companhia anunciou um corte de 200 funcionários na fábrica de Taubaté (SP), que produz celulares, monitores e notebooks da marca. Em outubro, mais 170 trabalhadores foram demitidos da mesma unidade.

Esse cenário nebuloso na empresa pode travar os planos de novos investimentos no Brasil. "O que os representantes da LG nos disseram é que os acionistas não estão dispostos a fazer investimentos na nova fábrica no Brasil neste momento", disse o secretário de Planejamento de Paulínia, Esdras Pavan.

No ano passado, quando a LG anunciou a construção da nova fábrica, o contexto era de expansão dos negócios. A empresa faturou US$ 3,1 bilhões no País, um crescimento de 30% em relação a 2009. Em reportagem publicada pela revista Época Negócios em novembro, o presidente da LG Eletronics no Brasil, Chris Ho Yi, disse que a receita deve ser a mesma de 2010. Ou seja, a companhia desacelerou.

A LG tem fábricas em Manaus (AM) e Taubaté (SP), além de um escritório em São Paulo. Ao todo, a empresa emprega cerca de 5 mil pessoas no País. / M.G

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