Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Em ano eleitoral, obras e outras atividades também geram empregos

Acredito que no final de 2022 a situação estará melhor do que é hoje, se a Ômicron deixar, é claro

José Pastore*, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2022 | 04h00

A Ômicron está atrapalhando a volta dos empregos por provocar um grave absenteísmo nas empresas. É uma pena, pois o Brasil começava a apresentar bons sinais nesse campo. Cansadas da “prisão domiciliar”, as pessoas demonstraram grande alegria ao fazer uma viagem, visitar os parentes e comer em restaurantes no final de 2021. A volta a esse estilo de vida teve reflexos positivos no campo do emprego. A circulação das pessoas tem um peso muito grande na dinâmica do mercado de trabalho.

O que esperar para 2022? Farei algumas previsões com base na palavra dos infectologistas que esperam uma regressão do vírus até o fim de março deste ano.

Antes, porém, devo mencionar estar surpreso com a criação de quase 3 milhões de empregos formais em 2021 e com a redução do desemprego de quase 15% para 12% no meio de uma pandemia. 

Para 2022, espero a volta de muitos empregos formais e informais. Por força contratual, as obras ligadas às concessões realizadas em 2021 e a continuidade de projetos que estavam paralisados no interior do Brasil (casas populares, saneamento, adutoras, 5G, etc.) devem contribuir para a geração de empregos na construção civil e pesada. Infraestrutura gera muito emprego para trás e para frente por ter cadeias produtivas longas. 

Em um ano eleitoral, os cofres cheios dos Estados e municípios serão usados em obras e outras atividades que também geram empregos (educação, saúde, segurança, etc.). É nos anos de eleições que os governantes buscam tirar proveitos dessas iniciativas.

Além disso, os vários programas de transferência de renda (Auxílio Brasil, Auxílio Alimentação, Vale-Gás, etc.) devem animar o consumo que, por sua vez, demandará trabalho.

Apesar de uma pequena quebra de safra, o agronegócio, assim como os minérios (exportações), devem ativar o mercado de trabalho de modo direto e indireto. O bom desempenho desses setores sempre se espalha e estimula o emprego nos municípios vizinhos. 

Com a redução do medo de contágio, a reativação das atividades de alojamento, viagens, esporte e entretenimento devem contribuir também para abrir oportunidades de trabalho de vários tipos. 

Nada será retumbante em termos de emprego e renda. Mas acredito que no final de 2022 a situação estará melhor do que é hoje, se a Ômicron deixar, é claro.

*PROFESSOR DE RELAÇÕES DO TRABALHO DA USP, É PRESIDENTE DO CONSELHO DE EMPREGO E RELAÇÕES DO TRABALHO DA FECOMERCIO-SP E MEMBRO DA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

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