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Em anúncio, Argentina volta a acusar fundos

Faltando duas semanas para vencer o prazo de pagamento a fundos nos EUA, governo foi ao ‘NYT’ dizer que detentores de títulos fazem ‘extorsão’

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2014 | 21h37

Faltando menos de 15 dias para vencer o prazo de pagamento aos fundos dos Estados Unidos, a Argentina publicou nesta quinta-feira, 17, anúncio de página inteira no The New York Times dizendo que paga suas dívidas e que quer continuar o diálogo com esses investidores “de forma justa, equitativa e nos termos legais”.

Ao mesmo tempo, acusa os fundos de extorsão, de fazerem ameaças e calúnias contra o país. “Calote significa não pagar e a Argentina paga. É hora de parar com mentiras e especulação”, diz o anúncio. O texto é uma resposta a outro anúncio, dessa vez da American Task Force Argentina (ATFA), grupo formado por credores que não aderiram à reestruturação da dívida soberana do país (conhecidos por holdouts), publicado na quarta-feira na imprensa argentina. O texto destaca que um novo calote da dívida teria consequências desastrosas para empresas do país. O anúncio diz ainda que a Casa Rosada se recusa a negociar.

No texto, assinado pela presidência da Argentina, a acusação é de que os fundos americanos é que se recusam a negociar e, por isso, não participaram da reestruturação da dívida de 2005 e 2010, que teve a adesão de 93% dos credores. Agora, diz o texto, esses fundos querem um lucro de 1.600%. 

Pagamento. A Argentina diz que no dia 30 de junho pagou US$ 900 milhões aos fundos da dívida reestruturada. Esse dinheiro, porém, está retido nos bancos, já que a Suprema Corte dos Estados Unidos condicionou o pagamento desses fundos ao pagamento dos credores que não aderiram à reestruturação. No anúncio de ontem, a Argentina diz que o US$ 1,5 bilhão que deve aos holdouts podem rapidamente se transformar em US$ 120 bilhões, caso outros fundos reclamem os mesmos benefícios. 

No próximo dia 22, o juiz federal Thomas Griesa, que está encarregado do caso, convocou uma nova audiência para discutir a dívida da Argentina, após pedidos dos fundos credores e dos bancos The Bank of New York Mellon e JPMorgan. O encontro será em Nova York e vai avaliar uma série de pedidos de esclarecimentos.

O Bank of New York (BoNY) pede explicações ao juiz sobre o que fazer com os US$ 539 milhões que a Argentina depositou no final de junho em sua conta para o pagamento de credores da dívida reestruturada. Griesa impediu o BoNY de realizar essa operação. Assim, o dinheiro está parado no banco. Em audiência anterior, Griesa pediu que os recursos fossem devolvidos à Argentina. O BoNY alega estar sofrendo ameaças de processos de credores europeus por não ter distribuído os recursos.

Griesa deu sentença favorável aos holdouts no dia 16 de junho. A Argentina tem até o fim do mês para pagar esses investidores US$ 1,5 bilhão (que inclui o principal e mais juros). Caso não pague, entrará em seu segundo calote em 13 anos.

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