DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
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Em anúncio de Plano Safra, Temer diz que fica no governo até 2018

Presidente participa de agenda positiva e não cita crise política ou processo em julgamento no TSE

Carla Araújo e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2017 | 13h14

BRASÍLIA - Sem citar diretamente a crise política ou o processo que está sendo julgado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que pode cassar o seu mandato, o presidente Michel Temer usou o discurso do anúncio no Plano Safra 2017/2018 para tentar empregar uma ideia de otimismo e reafirmou que está seguro de que permanecerá no cargo.

"Vamos conduzir o governo até 31 de dezembro de 2018", disse para uma plateia de lideranças rurais e diversos políticos que ocuparam o Salão Nobre do Palácio do Planalto.

Temer, que chegou ao evento acompanhado dos presidentes do Senado, Eunício Oliveira, da Câmara, Rodrigo Maia, e de ministros, disse ainda que o setor agropecuário dá uma "injeção de otimismo no país" e que é com "essa alma e esse vigor" que a cerimônia provoca é que ele terminará seu mandato.

O presidente, que anunciou o total de R$ 190,25 bilhões para o Plano Safra, destacou que ao ver a quantia que está sendo colocada à disposição do campo não há razoes para não ser otimista.

"Quando eu percebo os R$ 190,25 bilhões que estamos colocando, quando vejo o que está sendo feito no setor da agricultura, do agronegócio, eu digo: será que temos o direito de ser pessimistas no Brasil? Não tenho dúvida que o otimismo permeia essa solenidade", completou.

No evento, tido como uma tentativa de agenda positiva para mostrar que o governo segue trabalhando independentemente da crise, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, anunciou ainda a redução da taxa de juros para algumas modalidades de crédito, e Temer destacou que a iniciativa fazia parte de seu governo. "Convenhamos que temos nos preocupado com juros menores do que os do passado", disse.

Blairo Maggi, porém, admitiu hoje que o Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018 "não foi o dos sonhos dos agricultores, mas foi o possível". Ele se referia à baixa de apenas 1 ponto porcentual (pp) nas taxas de juros para o principais programas de crédito rural entre a atual safra, que termina em 30 de junho, e o próximo período.

Segundo o ministro, a demanda de sua Pasta foi pelo corte linear de 2 pp nas taxas de juros e apenas dos programas menores - o de armazenagem e o de inovação – foram atendidos. "Eu, como ministro da Agricultura, quero juros mais baixos, mas faço parte do governo e não sou agricultor. Enquanto eu olho uma árvore, o governo olha a floresta inteira", disse. "Eu gostaria de ter juros mais baratos, não vou ficar batendo boca no governo e, no arrocho econômico que o Brasil está, o governo não poderia fazer nada diferente."

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Maggi afirmou que os R$ 190,25 bilhões destinados ao Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018 não serão suficientes para atender toda a demanda de crédito da agricultura, e que o total necessário será suprido por recursos próprios, principalmente pelos de produtores mais capitalizados. "Chegaremos, no máximo, a 40% do volume necessário", explicou.

Ainda segundo o ministro, a alta de 13,4% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no primeiro trimestre de 2017 não vai se repetir nos períodos seguintes, já que os preços agrícolas estão em queda e grande parte da safra 2016/2017 foi colhida e comercializada no período. Maggi previu também que o clima, "se for razoável", fará com a próxima safra seja maior que a atual, de 232 milhões de toneladas de grãos, responsável, segundo ele, pelo controle da inflação. "Safra dá tranquilidade para equipe econômica olhar preço de produtos sem sobressaltos", concluiu.

O presidente Temer repetiu ainda que o agronegócio é um importante setor para a retomada da economia, que gera emprego e renda e também é fundamental para garantir a segurança alimentar para o país e o para o mundo. Temer destacou ainda a importância do setor nas exportações brasileiras. "Em 2016, participação (da agropecuária) de nossas exportações chegou a casa dos 40%, dai o sentido de prioridade qual o governo dedica ao campo", explicou.

Em seu discurso, o presidente disse ainda que o ministro Blairo fará uma nova viagem de 10 dias à China para abrir mercados para o Brasil.

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