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Em artigos, Loyo prega combate rígido à inflação

O novo diretor indicado para a diretoria de Estudos Especiais do Banco Central, Eduardo Loyo, é a favor de uma política macroeconômica austera, com controle rígido da inflação, mesmo que isso signifique, "transitoriamente", queda da atividade econômica e perda de emprego. Num dos artigos que escreveu para o jornal Valor Econômico este ano com o título a "A Estabilidade é um fim em si mesma", Loyo diz: "A verdade é que todos desejamos que o Brasil cresça e prospere e, se inflação baixa ajuda a alcançar esse objetivo, eis aí um motivo esplêndido para perseguir a estabilidade. Mas não é o único motivo. É preciso ter claro o seguinte: mesmo que inflação moderada traga apenas prejuízos imperceptíveis para o crescimento de longo prazo, não faltarão bons motivos para combatê-la, a despeito das perdas de produto e emprego que isso acarrete transitoriamente."Defesa ao sistema de metas ajustáveisNum outro artigo publicado, Loyo, doutor em economia pela Universidade de Princeton e professor licenciado da Universidade de Harvard, saiu em defesa da diretoria do BC que, no início do ano, foi alvo de críticas ao anunciar o sistema de metas ajustáveis de inflação para 2003. Na ocasião, parte do mercado considerou que o BC estava sendo leniente com a inflação ao permitir um ajuste da meta. "Como a inflação é um alvo móvel, metas ajustáveis ao longo do ano funcionam como se o critério de pontuação do atirador contrabalançasse movimentos inesperados do alvo. Isso é diferente de dizer que o alvo é teleguiado, garantido de se atravessar na trajetória do projétil por pior que tenha sido a pontaria", escreveu Loyo. Para ele, vulnerabilidade externa e dominância fiscal não tornam contra-indicado o regime de metas de inflação. Na verdade, podem impedir o controle da inflação sob qualquer procedimento operacional que se estabeleça para a condução da política monetária, ressalta o economista da PUC-RJ. Combate à inércia inflacionáriaLoyo defende também o combate da chamada inércia inflacionária, em termos até mais duros do que o BC teria feito no início deste ano. "Optou-se este ano por aumentar o grau de acomodação, de metade para dois terços. A justificativa foi de que a inflação de 2002 foi alta e concentrada no final do ano, dificultando o combate à inércia já em 2003. A desvantagem dessa decisão é abrir a perspectiva de escolhas ainda mais lenientes no futuro, ao deixar claro que o grau de acomodação aplicado no passado não é cláusula pétrea. Concorde-se ou não com ela, a decisão está tomada, e não cabe revê-la ao longo do ano", disse Loyo em um dos artigos. Num trecho seguinte, o economista afirma que "dado o grau de acomodação, um maior coeficiente de inércia aumenta a herança que as metas ajustadas de um ano recebem da inflação do ano anterior. Além disso, à medida que as expectativas de inflação incorporam um coeficiente de inércia mais alto, aumenta o sacrifício de produto necessário para reduzir a inflação, o que acaba induzindo a um grau maior de acomodação".Para ler mais sobre as mudanças na diretoria do BC:» Ilan Goldfajn deixa o Banco Central e será substituído por Afonso Bevilacqua » Meirelles conta que pediu a Ilan para ficar durante a transição » Meirelles explica que não há decisão sobre redução do compulsório » Não foram os "ruídos" sobre juros que provocaram a saída, diz Ilan » Em artigos, Eduardo Loyo prega combate rígido à inflação » Como foi a estratégia do governo para a saída de Ilan do BC » Lula, Alencar e Dirceu não comentam » Saída de Ilan não provoca reflexos no mercado, diz Ciro Gomes

Agencia Estado,

22 de maio de 2003 | 13h41

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