Em ata, BC indica novo corte da taxa Selic

Documento reforça apostas do mercado de redução do juro a 7,5% na próxima reunião

EDUARDO CUCOLO, FERNANDO NAKAGAWA, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2012 | 03h08

O Banco Central indicou ontem que deve continuar a reduzir a taxa básica de juros, que já caiu de 12,5% para 8% desde agosto de 2011. Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, o BC fez novas avaliações sobre a economia brasileira e internacional. Manteve, no entanto, as afirmações de que os riscos para a inflação continuam limitados e que qualquer movimento de corte de juros adicional será feito com "parcimônia".

O documento reforçou as apostas no mercado financeiro de redução dos juros para 7,5% na próxima reunião do Copom, no fim de agosto. Há divergências, no entanto, em relação ao passo seguinte, com analistas divididos quanto à reunião marcada para início de outubro. "A ata faz com que a reunião do Copom em outubro fique em suspense", diz o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otavio de Souza Leal.

O Bradesco também avalia que haverá pelo menos um corte adicional para 7,5% na próxima reunião, deixando o fim do ciclo de redução de juros em aberto. Ontem, os juros negociados no mercado financeiro apontavam para esse porcentual como um "piso" para as apostas dos analistas. O Itaú Unibanco, por outro lado, avalia que a taxa deverá chegar a 7%.

As apostas em cortes maiores levam em consideração, por exemplo, a afirmação do BC de que a elevada aversão ao risco e as perspectivas de baixo crescimento para a economia mundial se intensificaram desde a última reunião do Copom, no fim de maio. Isso está associado à desaceleração da atividade nos Estados Unidos e ao recrudescimento da crise europeia, que segue sem perspectiva de solução definitiva, segundo a instituição.

'Eventos extremos'. Ao mesmo tempo em que destaca essa piora, o documento traz a avaliação de que se tornou menor a probabilidade de "eventos extremos" no mercado internacional, como ocorreu em 2008 com a quebra do banco Lehman Brothers. Para alguns economistas, essa afirmação sinaliza fim do ciclo de corte da taxa Selic.

Em relação à economia brasileira, o Banco Central destaca que a atividade cresceu abaixo do seu potencial no início do ano e se recupera de maneira aquém do esperado. Diz, no entanto, esperar crescimento mais intenso neste semestre.

Para a instituição presidida por Alexandre Tombini, esses sinais divergentes em relação à economia brasileira e global mostram que prevalece a incerteza sobre o fim da crise. Mas o efeito disso sobre a inflação continua favorável, com recuo nas estimativas do BC a um nível em torno de 4,5% - centro da meta.

Apesar do reajuste no preço do diesel anunciado na semana passada e da possibilidade de alta da gasolina, o Banco Central manteve a expectativa de não alteração dos preços em relação ao verificado no fim de 2011. Para a telefonia fixa, a previsão de reajuste passou de uma alta de 1,5%, prevista em maio, para uma queda de preço de 1% na comparação com o ano passado.

Em um momento em que as receitas do governo estão em queda e há pressão para aumento de gastos, o BC diz trabalhar com a manutenção do rigor fiscal. A instituição retirou do documento a afirmação de que há um cenário de contenção dos gastos e avalia agora que a contribuição do setor público para a demanda se tornou "neutra".

Como o texto não explicitou quais serão os próximos passos do BC, parcela do mercado de juros futuros optou por apostar em um meio-termo. Uma parte ainda minoritária dos investidores passou a trabalhar com a hipótese de que o Copom poderá ter dois cortes a partir de agora: 0,5 ponto em agosto e 0,25 ponto em outubro, o que reduziria a taxa a 7,25%. Ainda que incipiente, a hipótese fez com que as taxas negociadas ontem indicassem tendência de queda. / COLABOROU FRANCISCO CARLOS ASSIS

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