Em ata, BC prevê alta prolongada da Selic

Diretoria do banco Central, no entanto, está dividida em relação à percepção do balanço de riscos do cenário central e à manutenção do ritmo de ajuste da Selic

Célia Froufe e Fabio Graner, da Agência Estado,

28 de abril de 2011 | 08h51

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que elevou a Selic em 0,25 ponto porcentual para 12% ao ano na semana passada, avaliou, de forma unânime, que, a partir dessa reunião, o ajuste total da taxa básica de juros deve ser "suficientemente prolongado". A avaliação consta de ata do encontro, que foi divulgada há pouco pela autoridade monetária, e leva em conta as incertezas quanto ao grau de persistência das pressões inflacionárias recentes e a complexidade que envolve hoje o ambiente internacional.

A diretoria colegiada se dividiu, no entanto, em relação à percepção do balanço de riscos do cenário central. A maioria entende que um "substancial esforço antiinflacionário" já foi introduzido na economia no último quadrimestre e que há defasagens no mecanismo de transmissão desse esforço para a atividade e para os preços. Isso, associado à decisão de se prolongar o ciclo de ajuste, recomendaria uma reavaliação da estratégia de política monetária para este grupo.

Outra parte do Comitê enseja a manutenção do ritmo de ajuste da Selic implementado no primeiro trimestre deste ano para mitigar riscos de que pressões inflacionárias recentes se transmitam ao cenário prospectivo.

Cenários

O Banco Central identificou que dos três cenários observados para a economia, em todos o IPCA fica acima da meta de 4,5% este ano e em dois deles também em 2012. Apenas em um dos quadros desenhados pela autoridade monetária para o próximo ano, a inflação gira "em torno" da meta.

Segundo a ata do Copom, divulgada na manhã de hoje, o IPCA subiu e superou o centro do objetivo no cenário de referência e também no de mercado para este ano e o próximo. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$ 1,60 e a Selic em 11,75% ao ano em todo o horizonte relevante. Já o cenário de mercado considera as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pela autoridade monetária com analistas de mercado no período imediatamente anterior à reunião do Copom.

Quando o cenário alternativo é avaliado, a projeção de inflação se encontra acima da meta em 2011 e em torno desse valor em 2012. Este cenário leva em conta a manutenção da taxa de câmbio, no horizonte relevante, em patamares semelhantes aos observados no passado recente e a trajetória de juros coletada pelo BC com analistas de mercado.

Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2011 se deslocou de 5,80% para 6,29%. Para 2012, a mediana das projeções de inflação subiu de 4,78% para 5,00%. Nos casos específicos de bancos, gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real, distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções para 2011 encontra-se, respectivamente, em 6,26%, 6,48% e 6,19%. Para 2012, em 4,80%, 5,19% e 4,86%, pela ordem.

O BC salientou que, no conjunto das projeções feitas pela autoridade monetária foram incorporados os efeitos estimados das alterações dos recolhimentos compulsórios anunciadas em dezembro do ano passado.

Meta de inflação

A ata do Copom que elevou a Selic para 12% ao ano continuou a identificar riscos à convergência da inflação na meta. "O Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza acima do usual, e identifica riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta", informou o documento divulgado na manhã de hoje.

Em relação ao cenário internacional, a ata destacou que, desde a última reunião do Copom, fatores de estímulo e seus reflexos sobre preços de ativos apontam baixa probabilidade de reversão do processo de recuperação em que se encontram as economias do G-3. "Em outra perspectiva, ainda revelam influência ambígua do cenário internacional sobre o comportamento da inflação doméstica."

No âmbito interno, a diretoria colegiada salientou que as ações macroprudencias e, principalmente, ações convencionais de política monetária implementadas recentemente ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços. "Embora as incertezas que cercam o cenário global e, em menor escala, o doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade de pressões inflacionárias recentes, o Comitê avalia que o cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente", considerou.

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