André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Em ata, BC reforça que não há espaço para corte de juros agora

Documento diz respeito à última reunião do Copom, que ainda não contou com a participação do novo presidente, Ilan Goldfajn; para 2017, BC passou a projetar a inflação no centro da meta

Célia Froufe, Eduardo Rodrigues e Maria Regina Silva, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2016 | 10h02

BRASÍLIA - A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta quinta-feira pelo Banco Central repetiu que "adotará as medidas necessárias" para assegurar que a inflação se circunscreva aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 2016 (de 4,5%, com intervalo de tolerância de 2 pontos porcentuais para baixo ou para cima) e fazê-la convergir para a meta de 4,5%, em 2017 (com bandas de 1,5 p.p.). "Nesse contexto, (o Copom) ressalta que o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias", destacou o documento. 

Pela primeira vez, o BC informa que suas projeções, no cenário de referência, indicam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano que vem ficará exatamente no centro da meta de 4,5%. Isso ocorre em meio a especulações do mercado financeiro de que o novo presidente da autoridade monetária, Ilan Goldfajn, poderá optar por ajustar a meta do ano que vem. No fim deste mês, o CMN pode referendar ou mudar o objetivo do ano que vem e vai estipular a meta de 2018.

Vale lembrar que Goldfajn não participou desta última decisão do Copom e, portanto, também não escreveu a ata. Nessa última reunião, a Selic foi mantida, pela sétima vez seguida, em 14,25% ao ano, por decisão unânime.  

Para que o IPCA atinja o centro da meta de 4,5% em 2017, como quer o BC, a taxa de juros deve permanecer em 14,25% ao ano, por enquanto, avalia o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa. "Nesse quadro, não há espaço para flexibilização monetária", disse. "Para 2016, não há muito o que fazer", completou. Para esse ano, a ata escreve que a estimativa do BC para o IPCA aumentou em relação ao documento anterior e segue acima de 4,5%.

O BC não divulga qual a taxa prevista na ata, mas no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março, a estimativa estava em 6,6% para o fim deste ano pelo cenário de referência. Uma nova edição desse documento está prevista para o fim deste mês.

Camargo Rosa afirma que esperava o início de redução da Selic em algum momento do segundo semestre, com a taxa de juros indo a 12,25% no fim deste ano. Contudo, disse que está reavaliando sua expectativa para a Selic. "Imaginar que os juros podem cair, teria de ter uma meta ajustada, que é o que está sendo discutido, e aceitar uma inflação maior que a meta (centro). Nesse cenário da ata, considerando o que realmente está escrito, é coerente manter a Selic em 14,25% ao ano", reforçou. 

Riscos fiscais. A ata do Copom voltou a dizer que, apesar dos avanços no combate à inflação, há incertezas associadas ao balanço de riscos, em especial em relação à área fiscal. Na edição anterior, a diretoria do BC citava a "recuperação dos resultados fiscais e sua composição". Agora, fala que, "notadamente", o "gradual" processo de recuperação dos resultados fiscais é importante.

O documento reiterou que o processo de realinhamento de preços relativos mostrou-se mais demorado e mais intenso que o previsto e também que remanescem incertezas em relação ao comportamento da economia mundial.

 Nessa parte fiscal, o Copom alterou suas premissas, após a aprovação pelo Congresso Nacional de um déficit primário de até R$ 170,5 bilhões em 2016. Agora, o documento considera um resultado negativo de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, ante um déficit de 1,6% do PIB na ata anterior. O BC também alterou a perspectiva fiscal do próximo ano, de um superávit primário de 0,90% do PIB, para um déficit de 0,90% do PIB.

Atividade. Em relação à atividade econômica, a ata divulgada nesta quinta-feira repetiu a avaliação de que a demanda agregada continuará a se apresentar moderada no horizonte relevante para a política monetária, ou seja, nos próximos dois anos. Repetindo exatamente o parágrafo 31 do documento passado - de número 33 no documento de hoje -, a diretoria do BC citou que, de um lado, o consumo das famílias tende a ser influenciado por fatores como emprego, renda e crédito. De outro, de acordo com o colegiado, a concessão de serviços públicos e a ampliação da renda agrícola, entre outros, tendem a favorecer os investimentos. 

Mais uma vez, houve a avaliação de que as exportações líquidas apresentam melhor resultado, seja pelo aumento das exportações, beneficiadas pela depreciação do real, seja pelo processo de substituição de importações em curso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.