Em ata, Copom avisa que pode subir taxa de juro

A escalada dos preços internacionais do petróleo e a piora das expectativas de inflação para 2005 podem fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha que elevar a meta da taxa básica de juros da economia, a Selic. O aviso está expresso na ata da reunião do Comitê da semana passada, divulgada esta manhã pelo BC. Em julho, os diretores do BC argumentaram na ata da reunião do Copom daquele mês que a manutenção da Selic em 16% ao ano, por um período prolongado de tempo, seria suficiente para que os índices de preço convergissem para as metas de inflação, consolidando assim um cenário mais benigno para a economia. Mas as preocupações do Copom foram elevadas de lá para cá, aumentando o risco do comitê ter que adotar uma "postura mais ativa" para evitar o aumento da inflação no País. "O Copom entende que, desde então, dois fatores principais fizeram com que esse risco sofresse elevação. O primeiro é a alta dos preços do petróleo, na medida em que essa alta possa se tornar não só mais intensa como também mais persistente do que se antevia, produzindo, na ausência de um reposicionamento da política monetária, efeitos de segunda ordem incompatíveis com o compromisso inerente ao sistema de metas para a inflação", argumentam os diretores. O segundo fator é a deterioração das expectativas de inflação para 2005 que, em boa medida, derivam das próprias perspectivas em relação ao preço do petróleo.A consolidação de um cenário negativo, que forçaria o Copom a mexer na taxa Selic, não está garantido. "O quadro não está consolidado em relação a um ou outro fator de exacerbação, e o Copom precisará permanecer atento a novos desenvolvimentos nessas duas frentes", avisam os diretores do BC.

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