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Em ato com 70 mil, Cristina celebra expropriação da YPF

Presidente da Argentina agradeceu o apoio da maior parte da oposição

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h06

A presidente Cristina Kirchner, diante de 70 mil militantes do Partido Justicialista (Peronista) acotovelados no portenho estádio do Vélez Sarsfield, celebrou ontem a expropriação da empresa YPF de gás e petróleo. Cristina surpreendeu ao agradecer o respaldo da maior parte da oposição: "Obrigado a todos aqueles que tornaram isto possível. É uma obra que não é somente de um partido ou de um setor... É de todos os argentinos e para todos os argentinos!".

Segundo Cristina, a Argentina "recuperou" a YPF, empresa que foi removida na semana passada das mãos da espanhola Repsol.

A YPF, fundada em 1922 como estatal, foi privatizada em 1992. Os empresários argentinos que compraram a empresa a revenderam em 1999 para a Repsol. Mas, depois de 13 anos administrando a companhia, a empresa espanhola, acusada de não investir no país, foi retirada do comando da YPF de forma compulsória, com o confisco de 51% das ações.

"Jamais permitiremos que nossa história seja escrita novamente pelos que estão lá fora. E não permitiremos os interesses que são contrários à pátria", discursou Cristina, apelando ao nacionalismo.

Na madrugada de quinta-feira o Senado aprovou o projeto de lei de expropriação. Na próxima quarta-feira começará o debate na Câmara de Deputados. As discussões prometem ser prolongadas. A expectativa do governo Kirchner é de votar - e aprovar - o confisco da empresa de gás e petróleo na quinta-feira.

Cristina, levemente afônica, discursou apenas 45 minutos. Em pé, numa tribuna com os dizeres "Unidos e organizados", rodeada por todo seu gabinete de ministros, a presidente reconheceu que o atual grupo que está no governo "não é eterno".

"Não somos eternos, e pudemos comprovar isso de forma dramática", disse, com a voz embargada, em alusão ao ex-presidente Néstor Kirchner, seu marido, que morreu em outubro de 2010. "A juventude precisará levantar essas bandeiras", discursou. "Os jovens devem ser os guarda-costas desse legado histórico."

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