LUIS MOURA/WPP
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Em áudio, Onyx diz que deu uma 'trava na Petrobrás'

Ministro da Casa Civil afirma que qualquer modificação no preço do combustível deve ser feito no mínimo num prazo entre 15 e 30 dias

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

19 de abril de 2019 | 19h21

Em áudio que circula por grupos de WhatsApp nesta sexta-feira (19), o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, diz que os caminhoneiros podem ficar sossegados que o governo tem trabalhado para resolver o problema deles e melhorar as condições da categoria. Em um trecho, ele afirma que o governo já deu uma “trava na Petrobrás”. “Qualquer modificação de preço (será) no mínimo dentro de 15 e 30 dias de variação. Não pode ser menos que isso”, diz o ministro em resposta ao áudio de um caminhoneiro.

No áudio, Onyx afirma que o governo está trabalhando para dar melhores condições aos motoristas autônomos. “Estamos trabalhando, o presidente está focado e temos várias coisas bacanas que estamos trabalhando para dar condições ao caminhoneiro autônomo.”

O ministro afirma ainda que o governo está resolvendo a questão dos postos – local para os motoristas pararem e descansarem.”E vamos para cima da fiscalização. Venho insistindo nisso e o presidente também entrou nisso. Estamos trabalhando sério.” 

Ele termina o áudio dizendo: “Vamos confiar que o patrão de cima está conosco e o capitão aqui não vai jamais abrir mão de proteger e defender os caminhoneiros”. Procurado, o Ministério da Casa Civil afirmou que esse áudio é do fim de março deste ano e que está sendo usado fora de contexto. No dia seguinte a essa troca de mensagens, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez uma transmissão ao vivo pelo Facebook direcionado aos caminhoneiros e deu detalhes do cartão pré-pago da Petrobrás para a compra de diesel.  

Intervenção. Na semana passada, Bolsonaro decidiu intervir na decisão da Petrobrás de elevar o preço do diesel, anunciado no dia 11. Mas, nesta semana, a estatal conseguiu colocar em prática seu reajuste, que representou alta de R$ 0,10 por litro de diesel. A notícia causou indignação entre os motoristas, que aguardam providências do novo governo para melhorar a situação financeira da categoria.

Muitos caminhoneiros ainda tentam digerir a alta de R$ 0,10 no preço do diesel, anunciada na quarta-feira pela Petrobrás. Endividados e em situação financeira precária, eles tentam encontrar uma alternativa para não decretarem greve nas próximas semanas, o que poderia piorar ainda mais o quadro econômico.  Mas a ala mais radical da categoria já marcou paralisação para 29 de abril, o que tem provocado mal-estar nos grupos de WhatsApp dos caminhoneiros. Nem todas as lideranças concordam com uma paralisação neste momento. 

O representante dos caminhoneiros Wanderlei Alves, conhecido como Dedeco, é o mais ativo na organização da greve no fim do mês. Ele afirma que já está montando a logística da paralisação, mas não quis dar detalhes de como será. “Isso não foi uma decisão só minha, foi decidido em grupo por várias lideranças de caminhoneiros”, ressaltou. Ele acredita que, a exemplo do que ocorreu no ano passado, o movimento deve atingir o Brasil inteiro, crescendo à medida que os dias passam.

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