Em busca da demanda perdida

Tombo de 3,8% da produção industrial em agosto jogou uma ducha de água fria sobre saída da crise no 3º trimestre

Aloiso Campelo Júnior e Tabi Thuler Santos, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2016 | 21h37

As cinco altas consecutivas da produção industrial entre março e julho levou a previsões de que a saída da crise ocorreria já no 3.º trimestre. O tombo de 3,8% da produção industrial em agosto jogou uma ducha de água fria sobre esse cenário, mas há motivos para crer que a queda será devolvida em breve e que o setor voltará a crescer em 2017. A aceleração foi impulsionada pelos ganhos de competitividade externa com a desvalorização cambial de 2015, motivando aumento das exportações e reconquista de mercado interno por substituição de importações. Recentemente, a valorização do real e o enfraquecimento da demanda externa fizeram o setor cair no vácuo da demanda interna.

Há, no entanto, aspectos que sugerem uma retomada gradual da produção nos próximos meses, isso sem surpresas no ambiente político. Em agosto, houve recuos modestos disseminados e quedas intensas concentradas: as indústrias de alimentos e de veículos foram responsáveis por 70% do tombo. O resultado da indústria em agosto afasta a perspectiva de retomada rápida e aponta para uma recuperação sujeita a turbulências. Sem o motor externo, a indústria deixa de ser um sustentáculo à saída da recessão e passa a aguardar na fila pela recuperação do consumo das famílias.

*Economista e pesquisadores do Ibre/FGV

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