André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Em busca de confiança, Barbosa fala para investidores do exterior nesta segunda

Será 1° contato do ministro com o mercado depois que a presidente Dilma o indicou para substituir Levy no comando da Fazenda

Adriana Fernandes e Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S. Paulo

20 Dezembro 2015 | 18h26

BRASÍLIA - Em busca de confiança do mercado financeiro para garantir investimentos no Brasil em 2016, o ministro indicado da Fazenda, Nelson Barbosa, fará uma conferência nesta segunda-feira, 21, a investidores estrangeiros e nacionais para apresentar a sua estratégia de política econômica. É o primeiro contato do ministro com o mercado depois que a presidente Dilma Rousseff o indicou para substituir Joaquim Levy no comando da Fazenda. A conferência está marcada para as 12h, no horário de Brasília.

A troca de cadeiras na equipe econômica, na última sexta-feira, não foi bem recebida pelo mercado, que reagiu de forma negativa, com alta do dólar e queda da Bolsa, ao anúncio do Palácio do Planalto. Na conversa com investidores, Barbosa vai esclarecer dúvidas dos investidores e falar sobre o seu plano para fazer a economia voltar crescer.

O ministro, que passou o fim de semana em reuniões para definir sua equipe, será empossado no cargo hoje, às 17h. O atual secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Dyogo Oliveira, fará parte da nova equipe na Fazenda.

Os analistas enxergaram na mudança no principal ministério de Dilma o risco de uma guinada na política econômica e da volta da chamada "nova matriz macroeconômica", implementada por Guido Mantega, titular da Fazenda no primeiro mandato de Dilma. Barbosa integrou o time de Mantega até 2013, mas deixou o cargo por divergências na condução da política fiscal.

Em entrevista ao Broadcast e ao 'Estado', o ministro antecipou que vai "aperfeiçoar a política econômica para fazer o Brasil crescer mais rápido". Ele se comprometeu com a diminuição dos subsídios do Tesouro Nacional, o realismo tarifário e o cumprimento da meta fiscal de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, sem abatimentos.

Matriz. Em Brasília, avalia-se que, com Barbosa, o Ministério da Fazenda voltará a ser parte integrante do governo. Levy estava isolado e polarizando as principais decisões com Nelson Barbosa. "Teremos agora uma voz uníssona", disse uma das fontes. No entanto, é preciso tirar o "fantasma" da nova matriz econômica do caminho dele. "Não há mais espaço para isso", afirma outra fonte.

O ministro tenta se dissociar da fracassada nova matriz econômica, a política econômica de Mantega marcada por juros baixos, câmbio competitivo e política fiscal com desonerações - a expressão surgiu em 2012. A nova matriz econômica, em tese, não mudava o tripé de responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e meta de inflação. Na época, a intenção era mexer em dois preços da economia, os juros e o câmbio, para dar mais competitividade e garantir o crescimento ao País.

Depois que deixou a equipe de Mantega, Barbosa preparou o estudo "Os 12 trabalhos Fiscais", na Fundação Getúlio Vargas (FGV), que pode ser considerado ainda bastante atual sobre o seu pensamento de estratégia a ser adotada. Entre os 12 trabalhos, estão a necessidade de diminuição da perda fiscal com preços regulados, especialmente energia e combustível, diminuição da folha de pagamento da União em porcentagem do PIB, estabilização das transferências de renda em proporção do PIB, aumento do gasto público real per capita com educação e saúde e queda do gasto com custeio não prioritário. Também integram a lista o aumento do investimento público em transporte urbano e inclusão digital, redução dos custo fiscal dos empréstimos da União aos bancos públicos e reformas do ICMS e PIS-Cofins.

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