Adriano Machado/ Reuters
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Em busca de financiamento mais barato, governo quer selo verde para Infraestrutura

No Brasil, os financiamentos desse tipo de projeto somam apenas US$ 5,6 bilhões, a maioria na área de energia, disse diretora de organização internacional que faz a certificação de projetos sustentáveis

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2019 | 17h25

BRASÍLIA - O governo quer ampliar as possibilidades de financiamento de grandes obras de infraestrutura com crédito mais barato e "verde" - os chamados green bonds. A partir de um memorando de entendimentos, o Ministério da Infraestrutura poderá certificar a carteira de projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) com um "selo verde", emitido pela Climate Bonds Initiative (CBI). Ferrovias devem ser as mais beneficiadas.

A CBI é uma organização internacional sem fins lucrativos que faz a certificação de projetos sustentáveis. Embora boa parte da carteira do PPI tenha potencial para obter o selo, cada projeto do PPI será avaliado de forma individual. Hoje, o PPI soma R$ 217 bilhões em investimentos potenciais em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

A partir da certificação, os concessionários podem buscar financiamento em um mercado que hoje atinge US$ 694 bilhões. São fundos de pensão e de investidores privados que querem investir em projetos que contribuam para a redução de emissões e com a preservação ambiental.

No Brasil, os financiamentos desse tipo de projeto somam apenas US$ 5,6 bilhões, a maioria na área de energia, disse a diretora do CBI, Tathyanne Gasparotto. "A demanda por esse tipo de investimento é hoje muito maior do que a oferta", afirmou.

Segundo a secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias do Ministério da Infraestrutura, Natália Marcassa de Souza, os projetos do PPI já cumprem a maioria dos quesitos para receberem o selo verde - como os Princípios do Equador (critérios socioambientais adotados mundialmente por instituições financeiras) e o ISO 14000. Mas, de acordo com ela, a certificação do CBI é um requisito que atesta essas características. "Do ponto de vista do investidor, precisamos consolidar e empacotar essas práticas, deixar mais claro que cumprimos essas exigências", afirmou. 

A meta do governo é dobrar a participação das ferrovias na matriz de transportes até 2025, dos atuais 15% para 30%. Entre os projetos que devem ser mais beneficiados por financiamentos verdes estão a Ferrogrão, entre Cuiabá (MT) e Santarém (PA), e a Fiol, entre Ilhéus (BA) e Figueirópolis (TO). Para Marcassa, a certificação verde pode até gerar lances mais agressivos de investidores no leilão das ferrovias - previsto para ocorrer em 2020.

O memorando de entendimentos entre o Ministério da Infraestrutura e o CBI deve ser assinado hoje, 16, em Nova York. O ministro Tarcísio Gomes de Freitas e sua equipe estão na cidade norte-americana para apresentar a carteira do PPI a investidores. A agenda vai até sexta, 20. Ainda neste mês, o governo deve fazer road shows no Canadá e em Madri e, em novembro, na China e no Oriente Médio.

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