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 Vice-presidente de negócios do Magazine Luiza, Eduardo Galanternik, explica que a empresa analisa diariamente se constrói uma solução tecnológica 'em casa' ou procura no mercado Werther Santana/Estadão

Em busca de inovação, grandes empresas batem recorde de aquisições de startups

Número de negócios já chega a 77 no ano até abril, patamar 120% maior do que no mesmo período do ano passado

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

A velocidade das transformações digitais, acelerada pela pandemia da covid-19, criou uma cultura de urgência dentro das empresas em busca de inovação. Para não ficar para trás e não perder espaço para a concorrência, muitas delas, como Magazine Luiza, Via, B2W e Alpargatas, têm ido às compras à procura de soluções para problemas do dia a dia. A preferência tem sido pelas startups, empresas novatas com mais agilidade no desenvolvimento de produtos e com mão de obra qualificada.

Só no primeiro quadrimestre deste ano, o número de aquisições de startups cresceu 120% – um recorde para o segmento. Foram 77 negócios ante 35 em igual período do ano passado, segundo dados da plataforma de inovação Distrito. O movimento começou a se intensificar no terceiro trimestre do ano passado, quando aumentou a corrida pela digitalização para amenizar os efeitos da crise. Para se ter ideia do apetite das empresas, o número de aquisições entre janeiro e abril deste ano foi maior que o de 2019 inteiro.

“A pandemia acelerou a transformação das empresas diante de uma mudança forte no comportamento dos consumidores. Elas entenderam que precisavam ter novos canais para atender a esse cliente”, afirma o cofundador da Distrito, Gustavo Gierun. Para ele, as aquisições de startups se mostraram o caminho mais rápido para encurtar o tempo da digitalização.

“Todos os dias temos de decidir se vamos construir as soluções ou vamos procurar fora”, diz o vice-presidente de negócios do Magalu, Eduardo Galanternik. No primeiro quadrimestre, a estratégia foi buscar no mercado: a empresa comprou cinco startups e continua com forte apetite. “Procuramos negócios que vão resolver nossos problemas nas áreas de tecnologia, logística e pagamentos”, diz Galanternik, destacando que o objetivo é acompanhar os novos hábitos de clientes cada vez mais conectados.

Outras varejistas acompanharam a estratégia do Magalu. Neste ano, a venda de startups com soluções voltadas para o setor ficou em primeiro lugar no ranking de fusões e aquisições, com 14% das operações, segundo a Distrito. Em 2020, as fintechs estavam na liderança, com 16%, e o varejo em quarto lugar, com 11%. Para Gierun, as empresas do setor entenderam que avanços na parte de serviços, operações, clientes e na cadeia logística serão essenciais para o crescimento.

O vice-presidente de inovação digital da Via (ex-Via Varejo), Helisson Lemos, concorda. O grupo tem buscado startups que incrementem seus serviços, como a compra da empresa de logística Asap Log. Em menos de um ano, conseguiu elevar de 28% para 42% o número de entregas feitas em 24 horas e de 47% para 65%, em 48 horas. Em abril, a Via comprou a fintech Celer, que vai compor os trabalhos de outra aquisição: o banco digital BanQi, com dois milhões de clientes. “É inimaginável fazer isso em casa na mesma velocidade.” Para ele, a aquisição tem efeito imediato nos resultados. 

A velocidade das mudanças num mundo em forte disrupção reforça o movimento de compra de startups em vez de começar um projeto do zero. “Hoje em dia a tecnologia se torna obsoleta rapidamente. Enquanto uma empresa desenvolve uma solução, outras surgem e superam as demais”, afirma o sócio da consultoria PwC, Leonardo Dell’Oso, líder da área de fusões e aquisições.

Além da urgência do digital, o cenário tem sido favorável às aquisições. Com a queda dos juros e abertura de capital na bolsa, há muito dinheiro em circulação que precisa ser alocado em algum lugar, diz o sócio-fundador da butique de fusões e aquisições Solstic Advisors, Flávio Batel. “Só nas últimas três semanas, recebemos cinco novos mandatos de negócios que envolvem busca de soluções para empresas tradicionais.”

A maioria delas tem criado áreas e fundos dedicados à busca de oportunidades no mercado, como é o caso da Tivit, Porto Seguro e a B2W, que criou o IF – Inovação e Futuro. É essa área que fica à frente das aquisições de empresas do Universo Americanas (Americanas e B2W). De janeiro de 2020 para cá, a companhia já comprou oito startups para reforçar os serviços do grupo. A aquisição mais recente foi a Nexoos, uma plataforma que conecta tomadores de crédito com investidores. “A estratégia é entrar em negócios de novas frequências, novas verticais e que tenham times e conhecimentos para acelerar nosso trabalho”, diz o diretor do IF, Thiago Barreira.

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Investimentos em startups em 2020 foi de R$ 19,7 bilhões

Amadurecimento do ecossistema de inovação permitiu o florescimento de startups no Brasil desde 2011

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

O movimento de aquisições de startups por grandes empresas só tem sido possível pelo amadurecimento do chamado “ecossistema” de inovação. De 2011 para cá, o número de startups cresceu numa média de 100% ao ano e alcançou a marca de 13,5 mil empresas, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Esse avanço ocorreu, sobretudo, por causa da enorme liquidez e redução das taxas de juros no mundo.

No ano passado, o setor recebeu R$ 19,7 bilhões em investimentos, segundo dados da Abstartups. Com a queda da Selic, os investidores tiveram de buscar novas formas para remunerar o capital, e os fundos de venture capital – que apostam em startups – se tornaram opção. “De janeiro a abril, já temos investimentos da ordem de 70% do que foi destinado ao setor no ano passado (cerca de US$ 2,3 bilhões)”, diz o presidente da associação, Felipe Matos.

Segundo ele, a pandemia trouxe uma nova realidade para a sociedade e criou oportunidades. A tecnologia ganhou grande presença com as necessidades das empresas para atender a população, o que impulsionou fusões e aquisições e aberturas de capital. “Temos hoje um ecossistema que floresceu com mais investimentos. Não é um sucesso do dia para a noite”, diz Daniel Chalfon, sócio da gestora de venture capital Astella Investimentos

Na avaliação dele, o benefício de uma grande empresa ao comprar um startup vai além de apenas incorporar uma solução. A aquisição é uma forma rápida de trazer talento e a cultura de startup para dentro das corporações, que têm menos agilidade para tomar algumas medidas. “É como um navio muito grande. Você não consegue mudar a direção rapidamente.”

O presidente do grupo de empresas de software Nuvini, Pierre Schurmann, conta que historicamente no Brasil era mais fácil construir uma solução dentro de casa do que buscar fora. Além disso, os pequenos negócios não representavam um risco potencial. “Mas o mundo mudou, se digitalizou e as pessoas passaram a fazer tudo pelo celular.”

Outro ponto, diz ele, é que o custo para se montar um negócio caiu muito, com o avanço dos aplicativos. Junta-se a isso a queda da taxa Selic que fez a tecnologia se transformar num bom negócio para investidores com muito dinheiro. Nesse cenário positivo, Schurmann comprou quatro startups e tem meta de chegar a 15 ou 18 negócios até o fim do ano. “Queremos comprar empresas mais maduras e que tenham capacidade de comprar outras menores.”

O sócio da Astella Investimentos vê ainda outra explicação para o recorde de aquisições nos últimos meses. Os fundos de venture capital têm prazo de dez anos, e a maioria das carteiras no Brasil precisa ser encerrada para dar liquidez aos investidores. “Por isso, é um momento muito interessante. De um lado tem o comprador querendo inovação e do outro, fundos ávidos por liquidez.”

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Tivit quer 10 startups por ano até 2025

Departamento Tivit Ventures foi criado para realizar aquisições, com orçamento da ordem de R$ 400 milhões

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

De olho em soluções inovadoras que surgem no mundo das startups, a Tivit decidiu criar um novo departamento: o Tivit Ventures. O objetivo é fazer cerca de 10 aquisições por ano até 2025, diz o diretor de estratégia da companhia, Eduardo Sodero, responsável pela área de fusões e aquisições. O orçamento para as compras é da ordem de R$ 400 milhões.

Desde a criação do departamento, em novembro de 2020, a companhia já comprou cinco startups, entre elas a Privally (plataforma voltadas para a adequação de empresas à lei de proteção de dados) e a DevAPI (de integração de sistemas), em abril deste ano. “É um benefício mútuo. Ao mesmo tempo que conseguimos trazer para dentro da corporação mais inovação e novas tecnologias, as aquisições fortalecem as startups, que tendem a manter a estrutura independente.”

Sodero diz que o objetivo é buscar soluções de software que facilitem a vida das empresas. O foco atual, diz ele, está em startups de cibersegurança, inteligência artificial e fintechs. “Os serviços financeiros estão cada vez mais demandados e nossos clientes precisam dessas soluções”, diz ele, justificando o interesse pelas instituições financeiras.

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Totvs quer abrir novos mercados com aquisições

Neste ano, a companhia de software protagonizou um dos maiores negócios no mundo das startups

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

Com duas aquisições feitas neste ano, a companhia de software Totvs protagonizou um dos maiores negócios no mundo das startups. A empresa comprou a RD Station – plataforma de marketing digital criada em 2011 – por quase R$ 2 bilhões. “Ao longo da nossa história, fizemos mais de 45 aquisições, mas de startup foram as primeiras”, diz o presidente da empresa, Dennis Herszkowicz. 

Para ele, essa era a oportunidade de avançar na cadeia de valores, ir além dos softwares de gestão e abrir mercados. A outra startup adquirida foi a Tail Target, de big data (análise de dados). O presidente da Totvs conta que tem avaliado centenas de empresas que possam se enquadrar nos objetivos do grupo, como reforçar a atividade principal de gestão e melhorar a presença em alguns setores da economia (agronegócios, indústria e serviços logísticos). 

“Não adianta saber o que tem de ser feito e só executar em dois a três anos. Fazer essas aquisições significa um atalho para as oportunidades”, diz o executivo. Na opinião dele, essa é uma tendência, sobretudo porque o número de startups e o volume de dinheiro colocado nelas aumentaram assim como os casos de sucesso.

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Na Alpargatas, foco é a expansão internacional

Presidente do grupo, Roberto Funari diz que pandemia acelerou interesse por descobrir o mundo das startups

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

A influência digital nas vendas de marcas famosas despertou o interesse do presidente da Alpargatas, Roberto Funari, pelas startups. A empresa comprou no início de maio a mineira Ioasys, especializada na criação de soluções digitais e desenvolvimento de aplicativos, por R$ 200 milhões.

Foi a primeira aquisição da companhia, que quer criar um ecossistema para acelerar a expansão internacional e de novos produtos. O foco da companhia hoje são os mercados americano, europeu e chinês. “Nossa estratégia é encontrar soluções para potencializar o crescimento da Havaianas, oferecendo uma nova experiência para os usuários”, diz Funari.

Segundo ele, hoje a empresa busca inovação para melhorar os serviços, para a editorialização das marcas e para eliminar problemas nos canais de vendas. Essa busca é um exercício diário em qualquer departamento da empresa, que tem a responsabilidade de trazer soluções para questões importantes da companhia.

Funari afirma que a pandemia acelerou a necessidade de digitalização e despertou o interesse por descobrir o mundo das startups. “Mas acredito que o mais importante foi a mudança de comportamento das pessoas durante o isolamento social. Isso criou uma responsabilidade maior das empresas em termos de inovação”, diz ele. “Na medida em que se começa a inovar e as pessoas a responder a isso, cria-se um círculo virtuoso.”

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Locaweb analisou 1,9 mil startups e comprou 10

Para realizar as compras, a Locaweb avalia se as startups têm um produto maduro e exige que os fundadores continuem na empresa após a aquisição

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

Desde fevereiro de 2020, a companhia brasileira de tecnologia Locaweb já fez dez aquisições de startups. Para isso, analisou mais de 1.900 empresas com soluções variadas, diz o presidente do grupo, Fernando Cirne. Segundo ele, o objetivo é “enriquecer o ecossistema de e-commerce, entrar em novos mercados e fazer a consolidação do segmento”.

Mas, depois de avaliar tantos negócios, ele afirma que comprar uma empresa não é trivial. “Há muita startup boa, mas também há muitas sem gabarito”, diz. Além disso, as compras seguem critérios: as startups precisam ter um produto maduro, receitas e os fundadores têm de continuar na empresa.

“Não queremos só empilhar receitas. Compramos startups que se encaixam no nosso ecossistema e que podem ser aceleradas no grupo.” Cirne destaca que a companhia tem procurado conciliar trabalhos internos com aquisições. “Se é algo que o mercado ainda não tem, há tempo para podermos desenvolver. Mas se já existe, vamos comprar e incorporar.” 

Criada em 1997, a Locaweb fez sua estreia na bolsa de valores no ano passado. A empresa captou R$ 1,3 bilhão, sendo que R$ 575 milhões foram direto para o caixa da companhia. Desse montante, 75% foram destinados à aquisição de empresas. Neste ano, a empresa fez nova oferta subsequente e arrecadou cerca de R$ 2,7 bilhões. Parte do dinheiro também vai para aquisições.

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Porto Seguro criou fundo para negócios no mundo das startups

Fundo de corporate venture busca oportunidades e a primeira aquisição ocorreu em março passado

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

23 de maio de 2021 | 05h00

Em fevereiro deste ano, a Porto Seguro criou um fundo de corporate venture para buscar oportunidades de negócios no mundo das startups. A primeira aquisição da carteira ocorreu em março, com a Segfy, uma empresa especializada em gestão operacional e estratégica para corretores. No mês seguinte, a companhia fechou uma joint venture com participação de 13% com a Petlove – um pet shop online que tem entre os sócios os fundos Tarpon e o Softbank.

Nesse negócio, o objetivo da Porto é aproveitar a plataforma para vender seus seguros para cães e gatos, no que se chama no mercado de cross-selling (venda cruzada). O número de seguros para pets no Brasil ainda é pequeno e pode crescer exponencialmente nos próximos anos. “A Porto é uma empresa muito diversa e precisa de soluções modernas para cada tipo de produto”, diz o vice-presidente Comercial e de Marketing da Porto Seguro, Rivaldo Leite.

Segundo ele, as empresas grandes têm mais dificuldades de implementar novas tecnologias na velocidade exigida atualmente. “Às vezes, via startup ganha-se um tempo tremendo e, ao mesmo tempo, conseguimos trazer pessoas conectadas e muito inteligentes.” 

Foi o que ocorreu com a Segfy. Leite afirma que a empresa precisava de solução inteligente para os corretores de seguro. E a startup tem essas ferramentas, como a plataforma de gestão e cálculo para cotações online. “Estamos em busca de tecnologias que envolvem nossa atividade”, diz Leite, destacando que tem sido bastante procurado pelas startups para fazer negócios.

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