Em campanha pelas reformas, Lula tenta reviver Robin Hood

Na tentativa de impulsionar as reformas tributária e da Previdência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitará suas andanças pelo País para "vender" a necessidade das mudanças. A estratégia é espalhar que as reformas seguem o conceito de justiça social. Em outras palavras: aqueles que ganham aposentadorias milionárias perderão para beneficiar os mais pobres. Ao menos na propaganda, Robin Hood vai reviver no governo petista. "Vou ser um caixeiro viajante para pregar as reformas", disse Lula, na semana passada, em reunião com ministros. O esforço contará com uma campanha publicitária na TV, preparada pela Propeg, agência contratada pela pasta do Planejamento. Serão vários filmes, que devem ir ao ar ainda neste mês, que explicarão de forma didática como as propostas que o governo enviará ao Congresso - com mudanças no sistema de impostos e de aposentadoria - afetam o dia-a-dia da população. "Lula está convencido de que as reformas são decisivas no início da administração e esclarecerá a sociedade sobre sua importância", disse o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini. Não foi à toa que Lula provocou a ira de antigos companheiros, na quinta-feira, ao sustentar que a esquerda também tem comportamento muito conservador e medo do novo. "Conservador é ele, que não tem coragem de mudar", reagiu a sendadora Heloísa Helena (PT-AL), em entrevista ao Estado. Mais um aborrecimento para Lula, que já está irritado com as críticas que vem recebendo de sindicalistas da CUT e preocupado com ruídos de comunicação. Convencido de que são exatamente esses ruídos os responsáveis por resistências no meio do funcionalismo público, Lula deu uma ordem: todos os ministros devem adotar o discurso da justiça social quando falarem sobre as reformas. O próprio presidente deu um exemplo prático ao citar que há aposentados ganhando até R$ 53 mil. Erros"Cometemos alguns erros de linguagem, mas vamos consertar", garantiu o ministro de Desenvolvimento Econômico e Social, Tarso Genro, referindo-se à abordagem sobre as mudanças na Previdência. "Para defendê-la, utilizamos como argumento o combate ao déficit público, quando deveríamos dizer que queremos combater o déficit exatamente para fazer com que a reforma da Previdência tenha caráter distributivo." Com oposição dentro do próprio partido, Lula falou para o presidente do PT, José Genoino, que gostaria de chamar os radicais para uma conversa olho no olho. "Se explicar o que a gente está fazendo, eles vão entender", disse o presidente pouco antes de o governo completar cem dias. Lula avisou que reforçará o papel de comunicador das ações do Executivo. "Governo que não se comunica se trumbica", repete ele, que não abre mão dos conselhos de Duda Mendonça. O marqueteiro jura que só tem dado opiniões e "de graça". Para Duda, a administração começou a acertar o passo: "Um governo de cem dias ainda está tomando posse."

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