Em Canaã dos Carajás, o maior projeto da Vale

Qualquer morador de Canaã dos Carajás, no Sudoeste do Pará, sabe bem o que significa S11D, sigla que está espalhada pela cidade em adesivos de carros e placas de sinalização nas estradas. Trata-se do bilionário projeto Ferro Carajás S11D (potencial e localização da reserva), localizado da Serra Sul de Carajás. É o maior empreendimento da história da Vale e o maior da indústria de mineração. Serão investidos em todo o complexo US$ 19,67 bilhões. No pico da obra, a expectativa é criar 30 mil empregos nos Estados do Pará e Maranhão.

RENÉE PEREIRA / TEXTOS, SERGIO CASTRO / FOTOS, CANAÃ DOS CARAJÁS (PA), O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2014 | 02h06

O projeto consiste na construção da mina, usina de processamento e sistema de logística. Quase 60% do volume de investimento será aplicado na expansão da ferrovia e do sistema portuário no Terminal de Ponta da Madeira, em São Luiz (MA). Na usina, que fica cerca de 50 km de Canaã dos Carajás, o minério explorado será transportado até a usina por meio de um sistema de correias com 9 km de extensão, o que vai reduzir o número de caminhões na operação.

A previsão é que o projeto entre em operação em 2016, produzindo 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano - volume pouco menor que a produção atual da mina de Carajás, atingida após duas décadas de operação. Segundo dados da Vale, quando estiver pronto, o S11D criará 3.600 postos permanentes de trabalho na região. A esperança da população de Canaã dos Carajás é que os jovens da cidade consigam uma chance na empresa. Trabalhar na Vale virou status para a população local. Todo mundo quer ser "verdinho", uma referência à camisa verde dos funcionários da Vale. Com esse uniforme, os funcionários levam vantagem, tanto na paquera com as moças da cidade como nos negócios.

Boa parte dos funcionários da Vale e do pessoal mais graduado das construtoras mora em hotéis alugados pelas empresas. O principal gasto deles é com a comida. E não faltam opções na cidade. Todos os dias, quando o sol se põe, moradores montam seus restaurantes ambulantes no meio da praça construída no canteiro central da Avenida Weyne Cavalcante - a principal da cidade. Ali, tem comida para todos os gostos, de cachorro-quente, churrasquinho a um jantar completo. Maria Aparecida Silva, de 48 anos, fechou seu restaurante num ponto fixo da avenida para servir suas refeições na praça.

Ela transformou a churrasqueira num fogão onde coloca grandes panelas com buchada, chambaril (um ensopado de carne), assado e galinha caipira. No fim de semana, tem sarapatel. Os preços variam de R$ 10 a R$ 15. "Aqui vem todo tipo de gente comer minha comida, advogados, médicos e engenheiros. Está sempre cheio." A vantagem de Maria Aparecida é que agora ela não paga nenhum aluguel.

Rebelião. Os operários da obra ficam nos alojamentos, distantes da cidade. E, como em outras grandes obras, de vez em quando se rebelam. No último feriado, um grupo queimou parte do alojamento, quebrou máquinas e fez um engenheiro de refém.

Mais conteúdo sobre:
valecarajas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.