Adriano Machado/Reuters
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Países europeus dizem que desmatamento dificulta a compra de produtos do Brasil

Em carta ao vice-presidente Hamilton Mourão, oito países da Europa cobram medidas contra o avanço do desmatamento na Amazônia

André Marinho, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2020 | 14h04
Atualizado 16 de setembro de 2020 | 16h50

Em carta aberta ao vice-presidente Hamilton Mourão, oito países da Europa cobram do governo brasileiro iniciativas para conter o avanço do desmatamento na Floresta Amazônica. O documento é assinado pelos sete integrantes da chamada Parceria das Declarações de Amsterdã: Alemanha, Dinamarca, França, Itália, Noruega, Holanda e Reino Unido. A Bélgica também se juntou ao chamado. Segundo a carta, a atual situação está tornando cada vez mais difícil a compra de produtos brasileiros ou os investimentos no País. 

Na terça-feira, 15, o governo federal também recebeu uma carta asssinada por 230 organaziações e empresas ligadas ao meio ambiente e ao agronegócio com seis propostas para combater a destruição da floresta

O grupo de países europeus expressa preocupação com o aumento, "a taxas alarmantes", do desmate da Amazônia. "Sem dúvidas, isso confirma a importância fundamental de garantir que os órgãos governamentais nacionais possuam a capacidade adequada para monitorar essas tendências e aplicar as devidas leis", destacam.

Os oito países acrescentam que no continente europeu há um interesse da sociedade para que redes produtivas de alimentos tenham origem em bases sustentáveis. "Enquanto os esforços europeus buscam cadeias de suprimento não vinculadas ao desflorestamento, a atual tendência crescente de desflorestamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores atender a seus critérios ambientais, sociais e de governança", ressaltam.

A carta salienta que, no passado, o Brasil foi capaz de reduzir o desmatamento e expandir a produção agrícola ao mesmo tempo. "Os países que se reúnem através da Parceria das Declarações de Amsterdã contam com um compromisso político firme e renovado por parte do governo brasileiro para reduzir o desflorestamento e esperam que isso se reflita em ações reais imediatas", cobram.

O grupo ainda enfatiza que está disposto a abrir canais de diálogo com agentes dos mercados de commodities, entre eles produtores, negociantes e importadores, assim como legisladores povos indígenas e cientistas. "Isso também contribuirá para o estabelecimento de um setor agrícola próspero e saudável", conclui.

O documento é divulgado em um momento em que a política ambiental brasileira ameaça a viabilidade do acordo comercial da União Europeia com o Mercosul. Conforme mostrou reportagem do Estadão/Broadcast, autoridades europeias acreditam que o pacto não conseguirá superar os trâmites burocráticos necessários se não houver um compromisso do Palácio do Planalto com a contenção do desmate na Amazônia.

 

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