FABIO MOTTA/ESTADÃO
FABIO MOTTA/ESTADÃO

Em carta de despedida, Wasmália cita 'constantes restrições orçamentárias' no IBGE

Atual presidente do instituto afirmou que ficou sabendo do seu desligamento pela imprensa; Paulo Rabello de Castro irá substituí-la

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 14h05

RIO - Com a sinalização de ontem a respeito da troca de comando na presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a presidente Wasmália Bivar encaminhou nesta manhã uma carta aos funcionários do instituto em que anuncia a saída do órgão. No documento, ela destaca as realizações do instituto nos últimos cinco anos pautadas, por "autonomia técnica e política", e critica as "constantes restrições orçamentárias e de pessoal".

A troca de comando ainda não foi oficializada pelo governo interino, mas o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), já indicou o economista Paulo Rabello de Castro para o cargo. Funcionária de carreira, Wasmália sinalizou na carta que deve permanecer no órgão.

Ela também elencou realizações de sua gestão à frente do órgão, e sinalizou que pautou sua atuação com a "premissa" de que as pesquisas e informações estatísticas "devem ser compiladas de forma imparcial".

"Nesses últimos anos, apesar dos desafios impostos por constantes restrições orçamentárias e de pessoal, alcançamos importantes realizações, tendo sempre por premissa a ideia de que as informações estatísticas e geocientíficas devem ser compiladas de forma imparcial, com autonomia técnica e política e acessível a todos", informa a carta.

Entre os avanços citados na carta, Wasmália lista a consolidação da PNAD Contínua como principal pesquisa de resultados conjunturais sobre o mercado de trabalho, além das mudanças em projetos da área de geociências. Ela também destacou conquistas administrativas e a ampliação da inserção internacional do órgão em organismos multilaterais e como referência para países em desenvolvimento. 

"São posições que refletem o reconhecimento internacional à excelência e relevância do nosso trabalho construído ao longo de uma história memorável de 80 anos", afirmou Wasmália. Na carta, ela indica que escolheu o IBGE para "construir a parte mais importante da vida profissional". 

Transição. Wasmália afirmou que não esperava mais ser destituída do cargo, uma vez que o então ministro do Planejamento Romero Jucá já havia confirmado sua permanência à frente do órgão durante o novo governo.

Wasmália ainda comentou que o procedimento de comunicação da mudança foi "pouco protocolar". "Fiquei sabendo pela imprensa. Depois, Paulo Rabello de Castro (futuro presidente do IBGE) me ligou, e só mais tarde o ministro interino Dyogo Oliveira (Planejamento)", contou.

A atual presidente do IBGE lembrou ainda que o trabalho do órgão exige cuidado técnico e preservação. Para isso, ela já agendou uma reunião com Rabello de Castro e os diretores do instituto para o dia 10 de junho, para tratar da transição. Castro está em viagem internacional e retorna ao Brasil só no dia 7 deste mês. / ANTONIO PITA, DANIELA AMORIM, IDIANA TOMAZELLI E VINICIUS NEDER

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.