Foto: José Cruz|Agência Brasil|Arquivo
Foto: José Cruz|Agência Brasil|Arquivo

Em carta, Parente pede engajamento e disciplina aos funcionários da Petrobrás

Presidente da estatal também indicou que, após o plano de negócios, a empresa será 'maior e mais saudável'; sindicatos dos petroleiros definiram estado de greve a partir de quinta-feira

Antonio Pita e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2016 | 16h46

RIO - Às vésperas da primeira mobilização e greve contra a sua gestão, o presidente da Petrobrás, Pedro Parente pediu "engajamento e disciplina" aos funcionários para enfrentar um período de decisões difíceis, mas "necessárias". Em carta encaminhada aos petroleiros nesta terça-feira, em que detalha o novo plano de negócios da estatal, para o período entre 2017-2021, o executivo afirmou que definirá metas individuais e setoriais a partir de outubro, além de rever o orçamento de cada área até dezembro. Parente ainda indicou que, após o novo plano, "seremos uma empresa maior e mais saudável".

"Será um período de decisões que não são as mais fáceis, mas necessárias. Ao fim desses cinco anos, seremos uma empresa maior do que somos hoje na nossa área mais importante, além de mais saudável e pronta para o desafio de um mercado de energia que está em transformação", disse Parente na carta que publica no sistema interno de comunicação da estatal a cada 15 dias.

Nesta semana, os sindicatos de petroleiros realizam assembleia para definir um estado permanente de greve e uma operação padrão nas unidades de produção já a partir da quinta-feira, dia 29. Os petroleiros também rejeitaram a proposta de acordo coletivo feita pela estatal, que prevê congelamento de salários e alguns benefícios, reajuste abaixo da inflação nas gratificações e redução da jornada de trabalho e de salários nas áreas administrativas.

Chamada de "Operação Para Pedro", a atividade prevê que todos os funcionários de áreas operacionais cumpram todas as normas de segurança para atrasar a produção. Até o momento, pelo menos 23 plataformas do Rio de Janeiro já aderiram à mobilização. Outras 22 realizam assembleias até amanhã. Na quinta, a Petrobrás se reúne novamente com os sindicatos para negociar um acordo.

Na carta publicada hoje, Pedro Parente ressalta a nova métrica de segurança, assumida como meta prioritária da companhia. O executivo ressalta que a medida exigirá "disciplina e coragem" da força de trabalho e reconhece que os funcionários têm "garra, disposição e entendimento" da situação financeira da empresa para "caminhar juntos" em direção às novas metas.

Segundo o documento, a nova política de segurança, chamada "Compromisso com a vida", será detalhada em outubro. As mudanças preveem "aperfeiçoamento na segurança de processos e de integridade para buscar um sistema de consequências justo e que nos permita não só corrigir desvios mas também premiar avanços e disseminar boas práticas".

Parente também sinalizou que até o final de outubro começara a definir as diretrizes do novo sistema de gestão, o Orçamento Base Zero. Segundo ele, o método permitirá uma "redução de custos de maneira inteligente". "O principio é questionar a necessidade de cada um dos nossos gastos. Aqueles que forem essenciais serão mantidos e os demais, repensados. Com isso acharemos ovas formas de controle de custos", completou.

Entre novembro e dezembro, de acordo com o cronograma do executivo, haverá a definição das metas individuais de supervisores e equipes em diferentes segmentos da estatal. "Será possível detalhar cada resultado esperado dos nosso gestores e das nossas equipes de ponta. Estamos construindo nosso futuro e ele dependerá do nosso engajamento, da nossa garra e da nossa disciplina", frisou o executivo.

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