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Em cartaz no YouTube, notícias da cidade

Com o ?News Near You?, site quer atrair nova fonte de receita

Brian Stelter, THE NEW YORK TIMES, O Estadao de S.Paulo

10 de agosto de 2009 | 00h00

Com sua habilidade para coletar artigos e vender publicidade com eles, o Google já se tornou uma enorme força no ramo noticioso - e o flagelo de muitos jornais. Agora, sua subsidiária YouTube quer fazer a mesma coisa com a televisão local. O YouTube, que já se vangloria de ser "a maior plataforma noticiosa do mundo", criou o recurso News Near You, que identifica a localidade de um usuário e lhe oferece uma lista de vídeos relevantes. Com o tempo, ele poderia basicamente montar uma transmissão noticiosa local. Ele já está distribuindo vídeos de cidades natais de dezenas de fontes, e quer acrescentar outros milhares. O YouTube diz que está ajudando as estações de TV e seus outros parceiros ao criar uma fonte de receita nova - mas, até agora, fiscalmente insignificante. Mas as companhias de mídia noticiosa podem ter razões para se inquietar. Poucas estações de TV conseguiram imaginar um meio de reproduzir lucros na internet. O YouTube pode agir facilmente como mais um competidor. Até agora, a maioria dos vídeos Near You (perto de você) no YouTube vem de fontes não tradicionais: estações de rádio, jornais, universidades e, no caso de um grupo nascente de San Francisco chamado VidSF, três amigos que desprezam a dieta local de incêndios e homicídios da TV. "Isso realmente nivela o campo de jogo", disse Kieran Farr, um fundador do VidSF que cobre a cultura da cidade e posta seus segmentos no YouTube. O News Near You, iniciado no primeiro semestre, é apenas uma parte da investida do YouTube em vídeos noticiosos. Neste verão (junho a setembro, no Hemisfério Norte), a companhia convidou as mais de 25 mil fontes de notícias listadas no Google News para se tornar em fornecedoras de vídeos. O site também está promovendo vídeos da Associated Press e da Reuters, entre outras agências. Neste ano, começou a exibir vídeos noticiosos originais - incluindo os enviados por cidadãos do Irã, onde os protestos estão sendo registrados por usuários de celulares. Por enquanto, os vídeos não são um substituto para uma dieta de notícias impressa ou na TV. Num domingo, visitantes das proximidades de Baltimore viram uma reportagem sobre um programa de assistência a adolescentes; em Chicago, eles viram uma matéria da WGN-TV sobre artistas de rua; em Los Angeles, viram uma análise de uma motocicleta elétrica produzida pelo The Los Angeles Times. Os produtores com frequência contam as visitas em centenas, não em milhares. Até agora, quase 200 agências noticiosas firmaram acordos com o YouTube para postar pacotes noticiosos e dividir a receita da publicidade que aparecer com eles. Ademais, as buscas no Google agora mostram vídeos do YouTube junto com artigos noticiosos, ajudando os vídeos a alcançar mais gente. A pura amplitude do YouTube - ele é visitado por 100 milhões de americanos a cada mês - faz dele uma poderosa força de promoção, além de uma ameaça potencial a companhias de mídia consolidadas. Essas companhias já têm mais com que se preocupar: boa parte do mercado de mídia local desmoronou nos últimos anos à medida que os anúncios classificados começaram a se transferir para a internet, as fabricantes de veículos reduziram seus gastos e proliferaram as novas opções de serviços noticiosos e entretenimento. Enquanto isso, o YouTube ainda está tentando ser lucrativo quase três anos depois de ter sido adquirido pelo Google. Como as questões de copyright o impedem de colocar anúncios em vídeos amadores, ele tem tentado fazer acordos com parceiros profissionais para semear o site com conteúdo favorável à publicidade. Os noticiários são uma opção óbvia. "O Google só pode ganhar dividindo a receita com pessoas que têm os pés na rua em mercados locais", disse Terry Heaton, vice-presidente sênior da AR&D, uma companhia que dá consultoria a empresas de mídia com enfoque local. O Google disse em junho que estava contente com a trajetória do YouTube e indicou que espera que o site se torne lucrativo num futuro não muito distante, mas não especificou quando. Embora o YouTube possa ganhar adicionando vídeos locais, resta ver se as agências noticiosas estabelecidas se beneficiarão. O recorte de manchetes impressas e links levou alguns a culpar a companhia pelas dificuldades financeiras dos jornais. O diretor executivo da Dow Jones recentemente chamou o Google de "vampiro digital" que estava sugando o sangue" de jornais ao utilizar seus artigos gratuitamente. O que o YouTube está fazendo é um pouco diferente. Ele não está enviando aranhas digitais por toda a web para recolher vídeos automaticamente. Está pedindo a agências noticiosas que firmem acordos de parceria e prometendo um público mais amplo para seu material. O esforço do YouTube para organizar vídeos noticiosos locais começou de verdade no primeiro semestre, quando o módulo News Near You foi introduzido. O módulo usa o endereço de internet de um computador visitante para determinar a localização do usuário e se há algum parceiro localizado num raio de 100 milhas (160 quilômetros). Se houver, sete dias de vídeos locais são exibidos. Mas, em muitos lugares, sobretudo em mercados urbanos, 160 quilômetros não pode ser considerado realmente uma área local. Steve Grove, o chefe para assuntos noticiosos e políticos do YouTube, disse que a empresa "terá um raio menor à medida que trouxer mais parceiros".

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