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Em cenário de volatilidade, investidor procura derivativos para se proteger

Desde o ano passado, instituições têm investido em operações estruturadas, montadas com opções, que limitam a perda e o ganho do investidor

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2015 | 05h00

Instrumentos financeiros tradicionalmente associados à especulação passaram de “vilão a mocinho” e são cada vez mais usados como mecanismos de proteção, em especial pela pessoa física, o elo mais exposto à volatilidade. Os nomes dados a essas estruturas, como fence e collar (leia mais ao final do texto), assustam à primeira vista, mas funcionam como uma espécie de seguro, já que, na prática, oferecem um controle do risco.

Antes voltadas às tesourarias de bancos, essas operações chegam ao varejo estruturadas com opções. Tais ativos limitam a perda, mas impõem um teto ao ganho, o que é aceito pelos investidores, já que garantir algum retorno é palavra de ordem. A utilização das travas cresce de forma acelerada desde a eleição presidencial em 2014, quando a oscilação aumentou, conta o sócio-diretor da XP Investimentos, Raony Zeferino. Por lá, o avanço foi de 40% em 2015.

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Em fases de alta volatilidade, da aversão ao risco de forma geral, o investidor que quer permanecer no mercado abre mão de parte do ganho para limitar a perda. José Eduardo de Toledo, economista da plena consultoria
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As opções são um tipo de derivativo, no qual o investidor paga um prêmio para ter o direito de comprar ou vender uma ação em uma data futura por um preço determinado. Com esses derivativos, é possível apostar na alta ou na baixa do preço do papel. Quando combinadas de diferentes formas, as opções formam essas estruturas financeiras que limitam perdas e ganhos dos investidores.  

Na Bradesco Corretora, a procura dos investidores levou a casa a investir na área. O segmento cresce cerca de 20% ao mês. “O cliente tinha uma lacuna muito grande entre operações de renda fixa e de renda variável”, destaca Marcos Maluf, que chegou à corretora em 2015 para ajudar a estruturar essa divisão. “No momento de dificuldade de ver tendência do mercado, as operações estruturadas dão mais segurança”, diz o presidente da corretora, Aníbal dos Santos. “Hoje, é difícil competir com a renda fixa. É preciso reinventar as ofertas para rentabilizar a carteira do investidor.”

Até o ano passado, essas operações não faziam parte do dia a dia na Guide Investimentos, o que mudou em 2015. “Antes, era algo muito pontual. Hoje já chegam clientes dizendo que ouviram o amigo falar sobre um investimento com capital protegido, mas ele não sabe do que se trata”, afirma o estrategista da Guide, Luis Gustavo Pereira.

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É preciso saber explicar e mostrar que é uma proteção que permite uma rentabilidade. José Fajardo, professor da FGV
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José Eduardo de Toledo Abreu Filho, da Plena Consultoria de Investimentos, lembra que o uso dessas operações é uma tendência internacional e algo comum em mercados como EUA e Europa. Para o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) José Fajardo, as estruturas são um caminho em tempos de volatilidade, em que o investidor, naturalmente, acaba migrando para a renda fixa. “É uma estratégia interessante, pois altera a percepção de risco em renda variável”, destaca.

Estratégias. Segundo Zeferino, da XP, a estrutura mais utilizada, e também mais barata, é a fence. Ele conta que funciona como um seguro de carro. “Ninguém quer bater o carro, mas, se bater, tem a proteção do patrimônio”, diz.

Maluf, do Bradesco, lembra que quem investe em renda variável tem apetite ao risco, mesmo em crises, mas prefere não correr 100% dele. “As operações estruturadas conseguem deixar o cliente com patamar de investimento adequado”, afirma.

Já o collar é visto como mais eficiente, já que pode proteger integralmente a queda, mas a estruturação é geralmente mais cara.

Desafios. Informação e liquidez são os desafios desse mercado. Para enfrentar o primeiro, as instituições não economizam em figuras e gráficos que deixam a operação mais clara aos clientes. No Bradesco, por exemplo, os slides possuem quatro cenários distintos, para que seja de fácil visualização o funcionamento das operações.

As estruturas são limitadas às opções com liquidez. No passado, elas se concentravam em Petrobrás e Vale, mas hoje há mais alternativas. Fajardo, da FGV, salienta o programa de formador de mercado da Bolsa, que tenta promover liquidez a mais opções. O plano da BM&FBovespa é encerrar 2015 com 27 programas de formador.

Para driblar a baixa liquidez e alongar as operações, na XP e no Bradesco há a possibilidade dos contratos serem fechados no balcão. Outros limitadores de perda, como o “stop loss” – ordem de venda de uma ação caso ela atinja um determinado preço –, também estão sendo mais usados, conta o analista da Rico, Leandro Martins.

COMO FUNCIONAM AS OPERAÇÕES

Fence: O objetivo desta operação estruturada é participar da alta das ações, mas ter uma proteção para a baixa. Nela, se vende uma opção de compra, com um preço acima da cotação da ação, se compra uma opção de venda com preço próximo à cotação e se vende uma opção de venda com preço abaixo.

Collar: É uma operação casada, envolvendo um ativo (ação), a venda de uma opção de compra com preço acima da ação e a compra de uma opção de venda com preço também acima. Se a ação cair, o investidor terá o direito de vender o papel a um preço acima, pois possui uma opção de venda.

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