Em cinco meses, crescem queixas de usuários contra TIM e Claro

Dados revelados pelo presidente da Anatel mostram ainda que a Oi manteve as reclamações no mesmo nível

IURI DANTAS, RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h04

A suspensão temporária na venda de chips de celular, imposta pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) há cinco meses, não foi suficiente para reduzir as reclamações sobre a qualidade dos serviços das operadoras. Dados divulgados ontem pelo presidente do órgão regulador, João Rezende, em audiência pública no Senado, mostram que as queixas contra a TIM e a Claro só fizeram aumentar desde julho, enquanto a Oi conseguiu manter as reclamações no mesmo nível visto antes da suspensão das vendas.

O número de reclamações de clientes foi o critério usado pela Anatel quando decidiu suspender a venda das operadoras no meio do ano. O plano de melhoria definido pela agência em agosto prevê a possibilidade de novas proibições de venda caso as operadoras não cumpram os investimentos prometidos.

Na ocasião, a comercialização dos chips foi autorizada somente depois que as operadoras se comprometeram a investir em melhorias de rede, atendimento ao cliente e outros pontos. Ontem, Rezende disse aos parlamentares, que participaram da audiência promovida pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, que vem monitorando se as operadoras estão cumprindo o prometido.

Fiscalização da Anatel feita no fim de novembro mostrou que o desempenho das teles foi "insatisfatório", na avaliação de Rezende. Foi constatado aumento de 13,8% no número de antenas instaladas nos últimos três meses, mas as queixas mostram que o consumidor está cada vez mais descontente. Além disso, os investimentos das operadoras ainda deixam as teles longe das metas impostas pela agência.

Dobro. Segundo a apresentação feita ontem pelo presidente da Anatel no Senado, o número de reclamações de usuários da TIM não ultrapassou 2 mil por mês até julho. A partir de então, bateram mais de 4 mil em setembro e fecharam o mês de outubro na faixa de 3.750. O número de queixas contra a Claro rondava a casa de 1 mil, em julho, e praticamente dobrou em outubro, levando a operadora a superar a Oi, ficando em segundo lugar no número de ligações de clientes insatisfeitos. A Oi permaneceu estável, na mesma faixa de 1.250 desde julho.

Em nota, a TIM informou que acompanha "atentamente" as reclamações e que a melhoria da qualidade no atendimento está refletida no desempenho da empresa no Índice de Desempenho no Atendimento da Anatel nos últimos meses. A operadora citou a nota obtida em julho, último dado divulgado pela Anatel, segundo a empresa.

Mesmo diante do aumento, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse ontem ver melhora nos serviços, mas "não no padrão que precisa ser alcançado ainda". "O que houve é que o presidente da Anatel (João Rezende) reafirmou que vai continuar fiscalizando, cobrando, porque ainda não se tem os índices que estão sendo buscados pela Anatel e que as empresas se comprometeram a atingir", disse.

Questionado se estão descartadas novas punições às empresas, Paulo Bernardo respondeu: "Não gostaria de falar isso", e brincou que o celular dele estava com a conexão funcionando. O ministro estava falando com Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. / COLABOROU ANNE WARTH

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